Economia

Moody’s mantém avaliação de crédito do Brasil, mas vê riscos fiscais no radar após eleição de Lula

27 out 2026, 15:29
Moody's
(Imagem: REUTERS/Mike Segar)

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não mudou a avaliação da Moody’s Ratings sobre o perfil de crédito do Brasil, mas a agência vê riscos para o país caso o governo não avance em um ajuste mais firme das contas públicas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relatório, a agência afirma que a continuidade da trajetória fiscal atual, com mudanças apenas graduais, pode prolongar os déficits elevados, manter os custos de financiamento em patamares altos e ampliar a dívida pública.

O Brasil tem nota de crédito Ba1, com perspectiva estável, na Moody’s. A classificação está um nível abaixo do grau de investimento — selo concedido a países considerados mais seguros para investimentos.

A agência ressalta que, sem um compromisso mais forte com a consolidação fiscal, a dificuldade persistente de arcar com os custos da dívida poderá pressionar o perfil de crédito brasileiro ao longo do tempo.

“Embora a eleição não altere nossa avaliação do perfil de crédito soberano do Brasil, a continuidade da trajetória fiscal atual, com ajustes apenas graduais, corre o risco de prolongar os elevados déficits fiscais, os custos muito altos de financiamento e o aumento da dívida”, afirma a Moody’s.

Congresso mais à direita pode dificultar ajuste

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para a agência, o principal desafio de Lula no quarto mandato será estabilizar a trajetória da dívida pública e recuperar a credibilidade da política fiscal brasileira, que se deteriorou nos últimos anos.

A tarefa, porém, deverá ser ainda mais difícil diante de um Congresso mais à direita e com maior representação da oposição. A Moody’s avalia que a relação entre Executivo e Legislativo tende a ser mais desafiadora do que em mandatos anteriores, o que pode atrasar o ajuste necessário para estabilizar o endividamento.

Segundo a agência, cortes em gastos sociais e programas previdenciários têm custo político elevado e dificilmente partirão do Congresso. Por isso, precisariam ser propostos pelo Executivo e, depois, aprovados pelos parlamentares.

Neste momento, a Moody’s diz enxergar pouca disposição política, tanto no governo quanto no Congresso, para levar essas reformas adiante.

Dívida e juros no radar

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A agência estima que a dívida do governo geral tenha subido de cerca de 72% do Produto Interno Bruto (PIB), na época da eleição de 2022, para aproximadamente 83% do PIB atualmente.

Para estabilizar essa relação, seria necessário um superávit primário — resultado das contas públicas antes do pagamento de juros — de 2% a 3% do PIB, calcula a Moody’s. Na avaliação da classificadora, um ajuste dessa magnitude não é possível sem reformas.

A agência espera que o governo mantenha o atual arcabouço fiscal, com foco no resultado primário e mudanças pequenas e graduais. Lula também deverá buscar a melhora das contas por meio de crescimento econômico, medidas de aumento de arrecadação e maior eficiência dos gastos.

A Moody’s avalia, porém, que essa estratégia está em desacordo com a postura do Banco Central. Por isso, espera que a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, permaneça mais alta por mais tempo, até que haja passos claros em direção ao ajuste fiscal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Juros elevados por um período prolongado manteriam alta a conta de juros e pesariam sobre o crescimento e os investimentos, segundo a agência.

O que pode mudar a avaliação de crédito?

A Moody’s afirma que vai acompanhar a formação da nova equipe econômica e se o governo apresentará um caminho crível para a consolidação fiscal no médio prazo, a começar pelo Orçamento de 2027.

Um consenso sobre reformas mais profundas nas despesas — incluindo a redução da vinculação de receitas e da indexação de benefícios ao salário mínimo — seria positivo para o crédito do país.

Por outro lado, a falta de avanços no ajuste fiscal, a dificuldade persistente de arcar com os custos da dívida e um crescimento fraco da economia por um período prolongado seriam negativos para o perfil de crédito brasileiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar