Moraes quer só ‘desculpinha’ para tirar meu pai da domiciliar, diz Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou nesta segunda-feira (13) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de uma suposta interferência nas eleições ao proibir o parlamentar de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Flávio, a carta escrita por Bolsonaro foi apenas uma “desculpinha” “fajuta” usada por Moraes para tentar reverter a prisão domiciliar do ex-presidente.
“Foi a quinta vez que ele escreveu uma carta e por que, desta vez, ele resolve questionar? … Moraes, mais uma vez, quer só uma desculpinha para tirar meu pai da domiciliar”, declarou Flávio, durante transmissão em seu canal no YouTube.
Flávio citou um documento publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em suas redes sociais. “Quando foi a Michelle que publicou, também nenhum problema, não viu-se nada de errado com relação àquilo”, disse.
O senador alegou que Moraes “inventou o prazo de 90 dias” da proibição, já que o período compreende o primeiro turno das eleições.
“Não por acaso ele tomar a decisão, deixando o presidente Bolsonaro sem falar com o próprio filho, no caso Flávio Bolsonaro, eu, por 90 dias, ou seja, eu só poderia voltar a falar com o presidente Bolsonaro após o primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência?”
O presidenciável disse ainda haver critérios diferentes aplicados a Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando estava preso. “Lula, quando cumpria pena de forma justa correta, escreveu 22 cartas. Lula podia fazer tudo”, falou.
O senador disse ainda ter conversado com integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para solicitar que a ordem se manifeste a seu favor – Flávio foi constituído um dos advogados de Jair Bolsonaro.
Decisão de Moraes
Nesta segunda-feira, o ministro suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao pai Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar.
A medida é resposta à transmissão ao vivo feita por Flávio no sábado, 11, em que o senador leu uma carta escrita à mão pelo pai. No texto, Bolsonaro pede aos apoiadores que “deixem as diferenças” e chama o filho de “porta-voz em quem confio”.
Para Moraes, Flávio usou o direito de visita com “exclusiva finalidade” de divulgar a carta nas redes sociais. Isso, diz o ministro, configura desvio de finalidade e descumprimento da medida cautelar que impede Bolsonaro de usar as plataformas digitais, inclusive por meio de terceiros.
Renan Santos: Moraes marqueteiro de Flávio
Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo Missão, também criticou a decisão de Alexandre de Moraes, dizendo que essa medida ajuda o bolsonarismo a se vitimizar frente a uma suposta perseguição a Corte, o que fortalece o senador para concorrer à Presidência nas eleições de 2026.
“O Alexandre de Moraes, na bizarrice dele, se tornou uma espécie de cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Renan comparou a decisão com o período em que Lula esteve preso e Fernando Haddad disputou a eleição presidencial de 2018 com o apoio do petista.
“O Haddad fez campanha com uma carta do Lula, recebeu o apoio dele. Aí as pessoas percebem que há dois pesos e duas medidas”, declarou.
Renan afirmou ainda que o ministro oferece ao senador um ambiente político favorável para desviar o foco de outras controvérsias.
“Às vezes eu acho que o Alexandre de Moraes é o marqueteiro do Flávio, porque tudo que ele quer e precisa é de um Bolsonaro para brigar. Aí as pessoas se esquecem do envolvimento dele no escândalo do Banco Master”, afirmou.