Educação

Morar perto de universidade pode dar mais chance a estudante em vestibular e no Enem, prevê projeto

03 ago 2026, 16:47
Senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), autora do projeto que favorece estudantes que moram perto de faculdades (Geraldo Magela/Agência Senado)

Residir perto de universidades pode significar uma chance maior para o estudante ser aprovado em vestibulares ou ter nota maior no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). É o que prevê o projeto de lei 2.141/2021, que avança no Congresso Nacional, e autoriza instituições de ensino superior a aplicarem critérios de origem geográfica nos processos seletivos.

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A medida beneficia estudantes residentes no mesmo estado ou em municípios vizinhos às faculdades, alterando a dinâmica de concorrência por vagas de graduação no País. O projeto, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Aprovado na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado, a proposta está pronta para entrar na pauta de votação da Comissão de Educação e Cultura (CE) e conta com parecer favorável da relatora, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).

Na prática, a medida não seria obrigatória, se virasse lei, e deixaria a critério de cada faculdade ou universidade definir se aplicará o mecanismo e quais serão os parâmetros utilizados, sem interferir no sistema de cotas sociais ou raciais.

Votação no Senado e o precedente sobre cotas regionais no STF

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Caso seja aprovado na Comissão de Educação sem requerimento para análise no Plenário, o projeto poderá seguir diretamente para apreciação na Câmara dos Deputados. Contudo, o formato definitivo de uma eventual lei deverá passar por debates atentos devido à jurisprudência já estabelecida pela Suprema Corte sobre o tema.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já julgou inconstitucional uma lei estadual que reservava 80% das vagas da Universidade do Estado do Amazonas para candidatos que haviam concluído todo o ensino médio no estado, por considerar que a reserva ampla violava o princípio da igualdade.

Diante desse precedente, a proposta atual evita a imposição de uma cota compulsória e limita-se a autorizar o bônus regionalizado conforme a autonomia de cada instituição de ensino, buscando equilíbrio entre a integração nacional e o desenvolvimento regional.

A discussão ultrapassa o ambiente acadêmico e ganha relevância econômica por impactar diretamente a retenção de capital humano e a oferta de profissionais qualificados no interior do País.

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A relatora da matéria fundamenta a necessidade da mudança nas transformações provocadas pela unificação dos vestibulares no país. Segundo a Professora Dorinha Seabra, a expansão do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) democratizou a concorrência nacional.

No entanto, segundo ela, acabou gerando uma distorção na fixação de mão de obra e aumentando a disputa enfrentada pelos estudantes residentes nas cidades sedes dos campi, argumentando que “a tendência é que uma parcela significativa dos recém-formados retorne a seus estados de origem”.

Esse efeito colateral de migração temporária atinge em cheio economias locais que financiam a estrutura das universidades federais, mas perdem profissionais como médicos, engenheiros e professores logo após a colação de grau, com o retorno às suas regiões de origem.

O critério geográfico também é defendido por parlamentares de estados do Norte e Nordeste como ferramenta para mitigar disparidades regionais de acesso e conter a perda de jovens talentos para os grandes centros econômicos.

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O senador Lucas Barreto (PSD-AP) aponta que a escassez de vagas na Universidade Federal do Amapá e o isolamento territorial penalizam os estudantes locais. “São poucas vagas na Universidade Federal do Amapá, e estamos ali do outro lado do Rio Amazonas. Estamos longe de tudo”.

*Sob supervisão de Gustavo Porto

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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