Ibovespa

BDRs: Entrada de novos nomes deve deixar Ibovespa mais pulverizado, diz BofA; Nubank (ROXO34) e Mercado Livre (MELI34) estão no radar

19 set 2026, 10:57 - atualizado em 19 set 2026, 11:10
David Beker - BofA - Selic
Chefe de economia no Brasil do Bank of America (BofA), David Beker (Imagem: Divulgação)

A inclusão de BDRs na carteira do Ibovespa (IBOV), prevista pela B3 para o primeiro semestre de 2027, deve ajudar a diversificar o índice, mas não necessariamente reduzir a concentração setorial, na avaliação do chefe de economia no Brasil do Bank of America (BofA), David Beker.

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Segundo o estrategista, o setor financeiro, que hoje representa cerca de 27% do Ibovespa, poderia ganhar ainda mais peso com a entrada de BDRs, já que o índice BR+, que já considera esses ativos, tem quase 30% de exposição ao setor.

“Temos várias BDRs do setor de financial, como o Nubank (ROXO34), que já está na carteira do índice BR+. Precisamos ver como vão ficar os pesos setoriais no Ibovespa depois que forem consideradas as BDRs com o limite de peso”, disse Beker em entrevista ao Money Times.

Outros setores também podem ganhar relevância, como o consumo discricionário, que tem participação maior no BR+ do que no Ibovespa principalmente pela presença do Mercado Livre (MELI34). A ação responde por mais de 11% do BR+ e é a de maior peso no índice.

Os principais candidatos

MercadoLibre (MELI34), Nubank (ROXO34) e XP (XPBR31) estão entre os potenciais candidatos a ingressar no ‘seleto grupo’ da bolsa brasileira, ainda que a metodologia definitiva para a inclusão de BDRs no IBOV.

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“Uma referência é o índice BR+, que já inclui BDRs. Hoje, os três maiores BDRs no BR+ são MercadoLibre (MELI34), NU (ROXO34) e JBS (JBSS32)”, destaca David Beker, do BofA.

O banco ainda considera Stone (STOC34), Inter (INBR32) e Aura Minerals (AURA33) como outros possíveis integrantes do IBOV, considerando a liquidez e o risco-país.

Fique atento: o BDR INBR32 deixará de ser negociado na B3 em outubro, quando está prevista a início das negociações do INBR34.

Limite de 10% deve reduzir impacto inicial

A B3 propôs um limite de 10% para a participação dos BDRs no Ibovespa. Para Beker, a regra tem uma função regulatória e também busca facilitar a transição para a nova metodologia.

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“O limite tem como objetivo que os diferentes tipos de fundos e investidores não excedam seus limites regulatórios para BDRs”, explica o economista-chefe do BofA. A restrição “também vai ajudar o mercado a absorver a mudança mais facilmente e com menos impacto no primeiro rebalanceamento”, acrescenta.

Segundo ele, a entrada de BDRs no Ibovespa deve provocar uma saída de fluxos de fundos passivos e ETFs que têm o principal índice da bolsa brasileira como referência.

“No momento do rebalanceamento, teríamos um fluxo saindo dos antigos membros e migrando para as BDRs”, avalia Beker, que considera que o impacto tende a ser ‘pontual’.

“Como as BDRs são listadas na B3, não deveríamos observar fluxos internacionais ou impacto no câmbio ligados ao rebalanceamento.”

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O economista, por sua vez, ainda chamou a atenção para liquidez desses papéis. Algo que deve ser levado em consideração também é a liquidez de BDRs e se tem algum impacto, já que essa liquidez é normalmente menor do que os listings de fora”, disse.

A diferença entre os critérios do Ibovespa e de índices internacionais também deve ser considerada.

O Ibovespa é atualmente orientado pela liquidez, enquanto a metodologia da MSCI dá maior peso a critérios como tamanho e free float. A inclusão de BDRs poderia, portanto, aproximar a composição do índice brasileiro do arcabouço utilizado pela MSCI Brasil, que já admite ações listadas no exterior.

Hoje, a carteira do IBOV conta com 76 papéis de 74 empresas brasileiras. A nova composição entrou em vigor neste mês com validade até dezembro, sendo rebalanceada a cada quatro meses.

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Para o estrategista, uma eventual elevação do limite do 10% vai depender da recepção do mercado e da evolução do ambiente regulatório.

O que são BDRs?

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são papéis negociados no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras e ou brasileiras listadas em bolsas internacionais permitindo que investidores locais tenham acesso a essas ações sem investir diretamente no exterior.

Atualmente, existem cerca de 818 BDRs listados na B3, sendo aproximadamente 55% negociados na bolsa norte-americana Nasdaq e no S&P 500.

A possibilidade de inclusão dos BDRs no Ibovespa, por sua vez, não chega a ser uma surpresa para o mercado. A B3 já vinha conversando com participantes para entender as demandas dos diferentes tipos de investidores. Ainda assim, o mercado aguarda detalhes sobre a implementação da nova metodologia.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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