Governo Federal

Move Brasil: programa que ajuda taxistas e motoristas de aplicativo a comprar carro novo esbarra na análise dos bancos

21 jul 2026, 11:26 - atualizado em 21 jul 2026, 11:27
Carros. (imagem: iStock)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados pelo Move Brasil, programa do governo federal voltado para a renovação da frota de motoristas de aplicativo e taxistas.

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O valor, divulgado em balanço oficial em julho, representa cerca de 3,3% do teto total de R$ 30 bilhões previsto para a linha. Ao todo, 10,1 mil profissionais conseguiram fechar o contrato e pegar a chave do carro novo.

Apesar do valor atingido, o volume de liberações representa uma parte pequena perto da procura inicial registrada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo dados do ministério, mais de 600 mil motoristas se cadastraram na plataforma Gov.br desde o início do programa, em maio. O total de contratos efetivados equivale a 1,6% desse universo de inscritos.

A diferença entre a quantidade de inscritos e os contratos assinados pode ter a ver com a etapa bancária.

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A validação do governo apenas confirma o cumprimento das regras de elegibilidade do programa, como ter licença de táxi ativa ou atuar há pelo menos 12 meses em aplicativos com histórico mínimo de 100 corridas no período. A decisão de liberar o dinheiro depende da avaliação de risco feita pelos bancos credenciados.

Para tentar elevar o número de aprovações e reduzir as exigências impostas nas análises de crédito, o governo federal e o BNDES acionaram o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac-FGI). O objetivo da medida é oferecer garantia complementar às operações para cobrir parte do risco e liberar as propostas que seguem retidas nas instituições financeiras.

Financiamento Move Brasil e a exigência de entrada

Nas simulações de compra, a exigência de valor de entrada aparece como um dos pontos de dificuldade do negócio.

Apesar de as diretrizes do BNDES permitirem financiar até 100% do valor do veículo sem sinal, as instituições privadas aplicam regras próprias de análise de crédito e costumam pedir valores iniciais entre R$ 30 mil e R$ 49 mil para aprovar o crédito de profissionais autônomos.

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Essa exigência acontece por causa do cálculo de risco feito pelos sistemas de crédito. Na avaliação financeira, os custos operacionais com combustível e manutenção são descontados da renda bruta informada nos extratos das plataformas. Com o abatimento dessas despesas, o ganho líquido considerado pelos bancos acaba ficando abaixo do nível necessário para comprometer a renda mensal com as parcelas.

Outro fator que impacta a aprovação é o histórico de consultas ao CPF. Quando o motorista tenta simular a proposta em diferentes bancos em um curto intervalo de tempo, o acúmulo de checagens reduz a pontuação do perfil de crédito nos órgãos de proteção, como o Serasa, o que dificulta novas tentativas de financiamento.

Também há registro de instituições cobrando taxa de cadastro, cobrança que é vedada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A orientação oficial do BNDES nesses casos é procurar outra instituição financeira credenciada no programa.

Juros do Move Brasil e regras do programa

A linha do Move Brasil opera com limites de juros fixados abaixo das taxas habituais do mercado para financiamento de veículos.

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Segundo as regras do BNDES, a taxa para motoristas mulheres é de até 0,91% ao mês (11,5% ao ano). Para homens, o teto fica em até 0,99% ao mês (12,6% ao ano). O prazo de quitação chega a 72 meses, com opção de carência de até seis meses.

O balanço do BNDES aponta que o valor médio dos contratos aprovados é de R$ 102 mil por veículo. As operações já registraram contratos em 1.015 municípios brasileiros, com atendimento feito por instituições como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

* Sob supervisão de Maria Carolina Abe

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Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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