Mercados

Na curva a termo, mercado já precifica 60% de chance de corte na Selic em setembro

06 ago 2026, 14:14 - atualizado em 06 ago 2026, 14:15
Juros selic Banco Central copom
(Imagem: Rmcarvalho/iStock)

No dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a curva a termo já precifica uma chance majoritária de mais um corte na taxa de juros, a Selic, em setembro

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Segundo a analista de renda fixa da Empiricus Research, Laís Costa, a curva a termo agora precifica um pouco mais de 60% de chance de corte de 25 pontos-base pelo Copom no próximo mês. Para os meses seguintes, a curva aponta para estabilidade da Selic.

Ontem (5), o Comitê cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, a quarta flexibilização dos juros consecutiva e, mais uma vez, a decisão foi unânime. O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado.

Desta vez, o colegiado enxugou o comunicado de junho após ruído por excesso de informações e retirou a afirmação de que período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.

Os diretores do BC, por sua vez, reafirmaram que “em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será feita à luz de novas informações“.

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O horizonte relevante do Comitê também passou do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028.

Para parte do mercado, o comunicado deixou a porta aberta para pelo menos um novo corte na Selic, em setembro.

Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, o comunicado da decisão foi “neutro”, com sinais limitados sobre os próximos passos da política monetária.

Segundo ele, há sinais de que a economia e a inflação podem estar ‘esfriando’ antes do esperado. “Caso esse cenário se confirme nos dados que virão, uma pausa deixaria de fazer sentido, e o Copom deveria optar por continuar reduzindo gradualmente a taxa Selic nos próximos meses”, avalia o economista.

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A XP, por sua vez, espera a Selic estável a 14% ao ano até dezembro, considerando que cenário está particularmente volátil tanto no âmbito global quanto no doméstico.

Já para o BTG Pactual, o comunicado preservou a possibilidade de novos cortes, mas trouxe sinais de cautela que tornam mais provável uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário ainda este ano.

Na avaliação do banco, o Copom não sinalizou explicitamente nem a continuidade das reduções nem uma interrupção do ciclo. “Algumas ressalvas na avaliação do arrefecimento do ciclo econômico, além da preocupação com a desancoragem das expectativas e os riscos em torno do cenário-base, tornam mais plausível um cenário de pausa ainda este ano”, afirmou o BTG.

Na mesma linha, o Goldman Sachs vê um ‘espaço limitado’ para um afrouxamento monetário adicional de maior magnitude no curto prazo.

Temor de alta nos juros nos EUA bate nos DIs

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Apesar do alívio com a decisão do Copom e da expectativa de mais um corte na Selic, os juros futuros avançam mais de 10 pontos-base nos vencimentos de médio e longo prazos na esteira dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.

Por aqui, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, operava estável a 13,775%, ante 13,700% do fechamento anterior, por volta de 14h (horário de Brasília).

No mesmo horário, a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, subia 10 pontos-base, a 14,115% ante 14,015% do fechamento anterior,

Já o DI para janeiro de 2036, de longo prazo, avançava 11 pontos-base e operava a 14,430% ante 14,315% do fechamento de ontem.

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Também no início da tarde, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,243%, alta de 6 pontos-base em relação ao ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,670%, avanço de 5 pontos-base sobre o fechamento anterior.

O movimento deve-se a notícias de que o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, está disposto a elevar os juros na reunião de setembro, caso os dados de inflação voltem a piorar.

Além disso, o presidente Donald Trump tem mantido uma linha de comunicação intensa com Warsh, segundo o Wall Street Journal. Segundo o jornal, Trump tem conversado sobre a guerra no Irã e inteligência artificial, entre outros assuntos. A política monetária, por sua vez, não foi um dos temas abordados até agora, segundo fontes do Senado à reportagem.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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