Bancos

“Não somos imunes”: CEO do Itaú vê cenário mais difícil em 2027, com juros altos e risco de piora do crédito

04 nov 2026, 10:13 - atualizado em 04 nov 2026, 10:17
Milton Maluhy Filho
(Imagem: Divulgação/ Itaú)

“Não somos imunes, nunca fomos imunes.” A ressalva do CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, dá o tom da cautela do maior banco privado do país diante das perspectivas para 2027.

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O executivo afirma que a instituição está mais preparada para enfrentar um ciclo econômico adverso, mas reconhece que juros elevados por mais tempo, menor crescimento e possível aumento do desemprego devem trazer desafios para o mercado de crédito.

Em coletiva com jornalistas sobre os resultados do terceiro trimestre, Maluhy chamou atenção para a combinação de famílias com maior comprometimento de renda e empresas que precisarão refinanciar dívidas a custos mais altos.

Na avaliação do executivo, esse cenário pode afetar tanto a demanda por empréstimos quanto a capacidade de pagamento dos clientes.

“Os economistas estão todos revisando suas projeções de PIB para o ano que vem, portanto, possivelmente haverá menos crescimento. […] Tudo isso aliado a uma economia em que as famílias já estão com comprometimento de renda mais alto e as empresas precisando se refinanciar a uma taxa de juros mais elevada desperta preocupações em relação ao cenário que vem para 2027”, afirmou.

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Diante desse quadro, o Itaú pretende manter a estratégia de crescimento com disciplina, priorizando clientes considerados mais resilientes e modalidades de crédito com maior nível de garantias.

A política vem sendo construída há vários trimestres e, segundo Maluhy, busca evitar uma expansão acelerada em momentos favoráveis que possa cobrar seu preço quando a economia desacelerar.

“Muitas vezes, não oferecer um produto e oferecer uma solução é o melhor para determinados públicos”, disse o CEO, em referência a clientes que já apresentam elevado comprometimento de renda.

A carteira de crédito do Itaú encerrou setembro em R$ 1,54 trilhão, com alta de 2,2% no trimestre e de 10,8% em 12 meses. Maluhy afirmou que o objetivo é preservar a qualidade desse portfólio ao longo dos ciclos econômicos, sem buscar crescimento a qualquer custo.

Itaú prioriza geração de valor, não apenas rentabilidade

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Questionado sobre a possibilidade de sacrificar parte do retorno para adotar uma postura mais conservadora, Maluhy afirmou que a gestão da instituição não é orientada exclusivamente pela busca de um ROE elevado, mas pela geração de valor ao acionista.

O executivo destacou que o custo de capital do Itaú subiu recentemente, influenciado pela trajetória dos juros de longo prazo, pela volatilidade dos mercados e por fatores como o ambiente institucional e a segurança jurídica.

Nesse contexto, o retorno das operações de crédito tem ficado apenas ligeiramente acima do custo de capital, segundo Maluhy. Parte relevante da rentabilidade do banco vem das receitas de serviços, seguros e do relacionamento mais amplo com os clientes.

O CEO também afirmou que a demanda por crédito já apresenta redução em diferentes segmentos.

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Entre as grandes empresas, a incerteza tem levado empresários a encurtar os prazos de financiamento, priorizar operações de capital de giro e adiar investimentos enquanto aguardam maior clareza sobre o cenário.

“O nosso papel não é ser nem conservador nem agressivo, é ser realista”, afirmou Maluhy.

Segundo ele, a prioridade é manter um balanço sólido e buscar crescimento sustentável, acompanhando os riscos sem abrir mão da disciplina na alocação de capital.

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Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.
Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

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