Aeris (AERI3) protocola recuperação extrajudicial em tentativa de reestruturar dívida de R$ 1,52 bilhão
A Aeris (AERI3) protocolou pedido de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A informação consta de fato relevante divulgado pela companhia nesta quarta-feira (4).
A medida teve aprovação do conselho de administração e ainda será levada à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária.
De acordo com a Aeris, a negociação do plano de reestruturação envolveu seus principais credores e tem como objetivo ajustar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem, ao mesmo tempo em que busca preservar a fabricação de pás para aerogeradores, os empregos, a arrecadação de tributos e as relações comerciais ligadas ao negócio.
O plano abrange créditos quirografários não correntes, em montante total de R$ 1,524 bilhão, com base em 31 de outubro de 2026. Ficam de fora créditos tributários, trabalhistas e os decorrentes de acidentes de trabalho.
A Aeris disse ainda que o plano já conta com adesão de credores que representam 42,18% dos créditos abrangidos para fins de quórum, acima do mínimo de um terço exigido pela legislação para essa etapa.
A companhia se comprometeu a buscar, em até 90 dias a partir do protocolo, apoio de credores que representem mais da metade desses créditos, condição necessária para homologação do plano.
O comunicado também destaca que a recuperação extrajudicial prevê a suspensão de ações e execuções sobre os créditos cobertos pelo plano, conforme a Lei de Recuperação Judicial e Falências.
A empresa afirmou que as linhas de fornecimento necessárias às operações serão preservadas e que as atividades seguirão normalmente.
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Situação da Aeris
As ações da Aeris perderam 98% do valor desde o IPO, em 2021. Fabricante de pás e geradores elétricos para o setor de energia eólica, a empresa abriu o capital com um forte discurso ligado à agenda ESG (ambiental, social e de governança).
No entanto, a falta de resultados e o aumento do endividamento, em meio à frustração com a demanda no setor eólico, pressionaram os negócios.
A empresa reportou prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026, ampliando as perdas acumuladas no ano. Enquanto isso, as despesas financeiras líquidas somaram R$ 114 milhões, alta de 60,5%.
A posição de caixa livre era de R$ 17,3 milhões, enquanto a dívida bruta totalizava R$ 1,9 bilhão.
“A companhia segue comprometida com a preservação de caixa, a disciplina na alocação de capital e focada em estudos adicionais visando à maior otimização de sua estrutura de capital”, escreveu a empresa em seu release de resultados.