Não tem bala de prata para juros no Brasil, mas precisamos aumentar produtividade e cortar gastos, diz Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, no programa Roda Viva, da TV Cultura, que “não existe bala de prata” para a redução de juros no Brasil e discordou que a gestão da política fiscal pelo governo tenha peso relevante na Selic. No entanto, segundo ele, é preciso aumentar a produtividade e o governo precisa cortar gastos obrigatórios para melhorar o ambiente econômico no País como um sinal.
“É preciso abrir espaço para aumentar produtividade da economia e contar gastos obrigatórios com o tempo“, admitiu o ministro. No entanto, Durigan disse discordar que há muito estímulo para economia e considerou incorreto que o governo gasta muito. “Gasto público não tem impulsionado economia”, disse.
Para o ministro, cenários conjunturais, como guerras, tarifaço dos Estados Unidos e crises climáticas, geram momento de desarranjo da economia mundial. “Discordo que o fiscal seja a razão dos juros altos no Brasil. Os juros foram cortados em 2023 e houve déficit de mais de R$ 200 bilhões. O desafio é equilibrar a pauta social com a econômica.”
Para Durigan, benefícios sociais estão consolidados no Brasil independente do governo e o debate é se “vão ser mais ou menos”. Paralelamente, reforçou o ministro da Fazenda, é preciso retomar o aumento da receita no longo prazo, com revisão gradual de gastos públicos para chegar ao superávit fiscal.
Além disso, desonerações devem ser revistas, desde que negociadas com os setores envolvidos e o Parlamento. Ele citou como exemplo o corte linear de 10% nas desonerações neste ano que foi negociado com Congresso. “Um legado inconteste que fica para o próximo governo”, afirmou.
Messias e pauta-bomba não se misturam
A crise do governo com o Congresso após a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) não deve influenciar nas questões econômicas negociadas pelo Ministério da Fazenda.
“Eu tenho compromisso de tratar as questões econômicas para futuro do País, para não aprovar pautas-bomba e espero que rejeição do Messias não abale a pauta econômica. Não se trata de uma batalha de braço de ferro, pois houve uma sensibilização foi construída com o tempo”, afirmou.
Para Durigan, a indicação e a aprovação do nome para o STF por parte do governo são prioritárias e bloqueiam a indicação de outras dezenas da nomes para outros órgãos como diretorias do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Segundo ele, os efeitos econômicos da guerra no Irã serão longos, mas a decisão do governo tem um calendário diferente e as avaliações são feitas a cada dois meses pela equipe econômica, “O Brasil não pode ser sócio da guerra e temos que manter a gestão fiscal para entregar o resultado e a neutralidade orçamentária”.
Meta de inflação, Correios, Banco Master e BRB
O cenário eleitoral, na avaliação do ministro, deve evitar, ao menos neste ano, a discussão de temas polêmicos com a revisão na indexação do salário mínimo à inflação, bem como a própria meta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 3%.
Durigan admitiu que o rombo nos Correios, de R$ 3 bilhões em 2025, pode chegar a R$ 10 bilhões em 2026 e que a estatal pode passar por um processo de joint venture que garanta a capitalização e a gestão da empresa.
Sobre a crise do Banco Master e os impactos no Banco de Brasília (BRB), o ministro foi direto: “a crise do Master é grave e a responsabilidade foi do Banco Central, na gestão de 2019 e 2024, do presidente anterior (Roberto Campos Neto)”, disse.
“Já o BRB é problema do GDF (Governo do Distrito Federal) e a única forma que cogitaria de intervir é se houver um o risco sistêmico. Não dá para comprometer dinheiro público com isso”, concluiu Durigan, sugerindo que o fundo do GDF possa ser usado como garantia do socorro ao BRB.