Taxa Selic

“Não tem clima para cortar os juros” após eleição, diz economista-chefe da G5 Partners

04 nov 2026, 7:00
Luis Otávio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners
Luis Otávio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners (Imagem: Divulgação)

A reação do mercado à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva deve levar o Banco Central a adiar uma nova redução da taxa Selic, na avaliação de Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners. Para ele, a alta do dólar e o risco de piora das expectativas de inflação justificam a manutenção dos juros nesta reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

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Em entrevista ao Money Times, Leal afirmou que, antes da eleição, o mercado caminhava para esperar cortes tanto na reunião desta semana quanto em dezembro. A mudança no cenário, porém, deve fazer a autoridade monetária aguardar.

“Eu acho que, com a vitória do Lula e a reação do mercado, principalmente na questão ligada ao dólar, o Banco Central vai esperar a poeira abaixar”, afirmou.

Seu cenário também contempla, inicialmente, estabilidade dos juros em dezembro, embora a decisão dependa da evolução do câmbio, das expectativas de inflação e, principalmente, das sinalizações fiscais do governo.

“Para a reunião de agora, para mim é manutenção, não tem clima para cortar os juros”.

Economia mais fraca abre espaço para cortes

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Segundo Leal, o Banco Central terá de avaliar quatro forças: duas favoráveis à redução da Selic e outras duas que dificultam esse movimento.

Do lado que permite cortes, estão o próprio nível dos juros e os sinais de desaceleração da atividade econômica. O economista cita o endividamento das famílias, o comprometimento da renda, a alta da inadimplência e as dificuldades financeiras das empresas.

“Quando você olha os dados, a sensação é que a economia está desacelerando mais do que estava esperado”, disse.

Na avaliação de Leal, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre pode apresentar uma contração de 0,1% a 0,2%, diante dos indicadores recentes de atividade, especialmente do varejo.

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Ele considera, porém, que medidas de estímulo ao consumo anunciadas neste último mês possam ajudar a atividade a voltar ao terreno positivo no quarto trimestre.

Ainda assim, sua expectativa é de que a economia comece 2027 em condições mais fracas do que as observadas no início de 2026, o que contribuiria para reduzir as pressões inflacionárias.

Dólar e expectativas dificultam queda da Selic

Na direção contrária, a desvalorização do real pode pressionar os preços e limitar o espaço para o afrouxamento monetário.

Leal avalia que, mesmo com uma acomodação após a reação inicial do mercado, o dólar deve permanecer em um patamar mais elevado. O movimento ainda pode ser reforçado pelas saídas de recursos que costumam ocorrer no fim do ano.

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Outro obstáculo é uma possível piora das expectativas de inflação para 2028 e 2029. Segundo o economista, esse movimento eleva as projeções de inflação nos modelos do Banco Central e dificulta os cortes.

Nesse equilíbrio, a política fiscal será decisiva. “Eu acho que o que vai definir é a postura do novo governo Lula na questão fiscal”, afirmou.

Para Leal, as medidas adotadas entre setembro e outubro elevaram o grau de exigência dos investidores. Assim, um ajuste capaz de satisfazer o mercado precisaria ser mais rigoroso do que aquele que o presidente estaria disposto a executar.

Mesmo assim, alguma sinalização de contenção fiscal poderia contribuir para uma avaliação mais favorável do Banco Central.

Dominância fiscal é possível, mas não provável

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Apesar das preocupações com as contas públicas, Leal não considera a dominância fiscal seu cenário mais provável.

Esse quadro ocorre quando uma alta dos juros aumenta de tal forma a preocupação com a capacidade de pagamento da dívida pública que acaba provocando fuga de capitais, desvalorização cambial e mais inflação.

“Eu acho que a gente ainda não está perto de uma dominância fiscal”, disse.

O economista pondera, contudo, que a transição para esse cenário pode acontecer de maneira abrupta, sem uma deterioração gradual e previsível.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Já passou pelas editorias de renda fixa, FIIs, mercados e macroeconomia. Para pautas: juliana.caveiro@moneytimes.com.br
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Já passou pelas editorias de renda fixa, FIIs, mercados e macroeconomia. Para pautas: juliana.caveiro@moneytimes.com.br

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