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“Não tem luz no fim do túnel se não mudar a direção da política fiscal”, diz ex-diretor do BC

02 jul 2026, 11:20 - atualizado em 02 jul 2026, 9:54
Bruno Serra Banco Central
(Imagem: Raphael Ribeiro/BCB)

O principal entrave para a economia brasileira não está mais na política monetária, mas sim na condução das contas públicas. Segundo Bruno Serra, gestor da família de fundos Janeiro, da Itaú Asset, sem uma mudança na direção da política fiscal o país não conseguirá avançar de forma consistente.

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Para Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual que também participou do evento Onde Investir no 2º Semestre de 2026, promovido pelo Seu Dinheiro, a economia brasileira continua crescendo acima do esperado, mesmo com uma das maiores taxas de juros do mundo, justamente porque a política fiscal segue expansionista.

“A grande desconfiança que todos nós temos é um impulso fiscal positivo”, afirmou, ao citar o aumento dos gastos públicos e a expansão do crédito como fatores que sustentaram a atividade econômica no primeiro trimestre mesmo diante da política monetária restritiva.

Na avaliação do economista, o próximo governo terá uma missão clara: reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas.

Segundo Mansueto, entre 2023 e 2026, as despesas federais devem acumular crescimento real próximo de 21%, movimento incompatível com a estabilização da dívida pública. A projeção do BTG é que a dívida bruta encerre 2027 ao redor de 85% do PIB.

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Ao defender o ajuste das contas públicas, Mansueto lembrou a própria experiência como secretário do Tesouro Nacional durante o governo Michel Temer. Segundo ele, a aprovação do teto de gastos e da reforma da Previdência foi suficiente para reduzir os juros de longo prazo e melhorar as expectativas do mercado, mesmo antes de os efeitos fiscais aparecerem integralmente nas contas públicas.

“Quando aprovamos o teto de gastos e, depois, a reforma da Previdência, o mercado começou a acreditar que a dívida poderia entrar em trajetória sustentável. Foi isso que permitiu uma queda importante dos juros de longo prazo”, argumentou.

Na visão de Bruno Serra, esse continua sendo o “quilômetro final” que falta para a economia brasileira. “Não vamos ver luz no fim do túnel se a gente não mudar a direção da política fiscal”, afirmou.

Mais importante do que o vencedor será a agenda fiscal

Na reta final do debate, os dois economistas também minimizaram o peso da incerteza eleitoral sobre os mercados. Para eles, o principal fator de atenção não será quem ocupará o Palácio do Planalto em 2027, mas qual agenda econômica será implementada pelo próximo governo.

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“Se alguém me disser que qualquer uma das partes nessa eleição tem mais que 60% de chance de ganhar, eu acho que vai estar errado”, afirmou Mansueto.

Na avaliação do economista, o mercado está menos preocupado com o resultado das urnas do que com o compromisso do futuro governo com o ajuste das contas públicas. “O que importa para o mercado é a agenda pós-eleitoral, em particular do lado fiscal”, destacou.

Bruno Serra fez uma avaliação semelhante. Segundo ele, eleições naturalmente elevam a volatilidade dos ativos, mas a direção dos mercados dependerá dos sinais dados pelo governo eleito.

“Eu não acho que o mercado vai se preocupar antes da eleição, porque qualquer um que ganhe pode adotar uma agenda nessa direção. Mas, de fato, no pós-eleição, a gente precisa seguir nessa direção”.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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