Natura (NATU3): JP Morgan rebaixa ação e coloca novo turnaround no radar; o que mudou?
O JP Morgan rebaixou a classificação da Natura (NATU3) de Overweight (equivalente à compra) para Neutra e substituiu o preço-alvo de R$ 11, para dezembro de 2026, por R$ 8,50, para dezembro de 2027.
O banco considera esse espaço limitado diante de uma revisão negativa de cerca de 15% nas estimativas de lucro por ação (EPS) e do aumento do custo de capital (Ke), em meio à alta dos juros nos Estados Unidos.
A equipe de analistas do banco cita três razões para a atualização. A primeira delas é a não concretização da tese de melhora da geração de caixa da companhia. Somado a isso, está um valuation não atrativo em relação aos seus pares.
Por fim, a Natura atravessa um fraco momento operacional, além de problemas de execução, e os analistas do banco colocam uma nova rodada de reestruturação (turnaround) no radar.
As ações da companhia de cosméticos operam em leve alta no pregão desta quarta-feira (30), em dia positivo para o Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa brasileira. Por volta de 11h (horário de Brasília), as ações subiam 0,31%, cotadas a R$ 6,57. Acompanhe o tempo real.
Execução decepciona
O movimento ocorre em um momento de desempenho ruim para a empresa de cosméticos. No segundo trimestre de 2026, a Natura reportou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025.
Em teleconferência de resultados realizada após a divulgação do balanço, João Paulo Ferreira, à época CEO da companhia, reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas devido à queda acentuada da receita no Brasil, que sofre com os impactos do cenário macroeconômico sobre a renda disponível, além de problemas relacionados à disponibilidade de produtos.
“As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas”, afirmou. “Reconhecemos, contudo, que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos”, disse o executivo.
A escassez de produtos foi apontada como um dos fatores que contribuíram para o cenário, com estresse causado pela indisponibilidade de produtos e parada da operação, mesmo com uma implementação tida como bem-sucedida do sistema SAP.
O JP Morgan reconheceu em relatório as perdas decorrentes de uma execução mais uma vez decepcionante, que obscurece as perspectivas de resultados em um contexto de consumo fraco e ambiente competitivo em rápida transformação.
Negociando a 7 vezes e 6 vezes o P/L (preço sobre o lucro) estimado para 2027 e 2028, respectivamente, a empresa não apresenta diferenciação suficiente em relação aos pares para justificar sua manutenção no curto prazo, considerando a perspectiva arriscada de resultados em meio a mais um processo de turnaround.
Mudança de CEO
No final de agosto, a Natura elegeu Alessandro Carlucci como novo diretor-presidente, com posse do cargo em 1º de outubro de 2026, no lugar de João Paulo Ferreira. Carlucci já foi CEO da Natura entre 2005 e 2014. A transição busca preservar a continuidade estratégica e fortalecer a execução operacional.
Para recompor a presidência do conselho, Fábio Barbosa, membro do conselho consultivo e que liderou anteriormente a estruturação da reorganização de capital da Natura, foi eleito pelo colegiado para retornar à posição, com nomeação a ser submetida à ratificação dos acionistas na próxima Assembleia Geral.
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