Nem PETR4 nem BBAS3: É a Taurus (TASA4) que dobra de preço com ‘trade eleitoral’ de Flávio Bolsonaro; entenda o movimento — e os riscos
Enquanto bancos elegem os seus papéis para aproveitar o ‘trade eleitoral’, uma ação escondida e pouco coberta por analistas chegou a saltar mais de 100% com a ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais: a Taurus (TASA4).
Entre a mínima, em junho, e a máxima, em 21 de setembro, o papel saltou 121%, segundo dados do Google Finance.
A eleição de Flávio pode trazer alívio sobretudo para o principal entrave da companhia no momento: o governo Donald Trump. A fabricante foi uma das mais atingidas pelas tarifas do governo americano sobre o Brasil. Isso porque grande parte da produção da empresa, sediada em São Leopoldo (RS), é exportada para os Estados Unidos, o maior consumidor de armas do mundo.
No ápice das tarifas, no ano passado, quando a taxação chegou a 50%, o CEO Salesio Nuhs chegou a dizer que a taxa poderia inviabilizar completamente as operações da companhia. Com a suspensão e a nova rodada de tarifas, a aplicação cumulativa sobre os produtos brasileiros exportados para os EUA caiu para 37,5%, mas ainda é alta.
‘Talvez hoje, das empresas listadas, certamente a Taurus é uma das que mais sofre por conta das tarifas’, destaca Marcos Saravalle, CIO da Krivo Capital, que acompanha o papel. Segundo ele, em um cenário em que as tarifas deixem de existir, a geração de caixa poderia ‘ser na veia’. ‘A Taurus até poderia ser um pouco mais agressiva em preços e aumentar o market share (participação de mercado). Então, é um fator duplo.’
Nos seus cálculos, a queda das taxas poderia adicionar de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões ao Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A companhia fechou o segundo trimestre com Ebitda de R$ 124 milhões, ou seja, o valor poderia mais que duplicar.
Some-se a isso o fato de a empresa também estar bastante ‘amassada’ na bolsa. Nos últimos cinco anos, perdeu 60% do seu valor de mercado. Os números já eram fracos antes das tarifas de Trump. As taxas foram apenas a ‘pá de cal’.
‘A empresa tem um desafio externo, um desafio interno, tudo isso se mostra em resultados bem mais fracos. Por outro lado, a base está muito mais fraca. Então, qualquer melhoria seria realmente crucial para a companhia e para as ações.’
Cenário doméstico
Com uma legislação restritiva para armas, a empresa tem pouca participação no mercado brasileiro e deve continuar assim, segundo Saravalle. ‘O mercado interno nunca vai ser o mais relevante para a companhia. Pode ser mais representativo, mas longe de ser o mais relevante.’
A questão, segundo ele, é que o mercado aqui é mais rentável. Mesmo representando menos de 40% da receita, tem espaço para crescer e traz margem de geração de caixa.
Ou seja, uma possível política de Flávio Bolsonaro para aquecer o mercado de armas poderia ser benéfica para a companhia. ‘O Bolsonaro entrando tem a possibilidade de retomar o crescimento do mercado interno.’
Os riscos
O problema disso tudo é que se trata de um cenário altamente especulativo. Não se sabe se Flávio vai conseguir, de fato, mudar a legislação sobre armas, por exemplo. Segundo o jornal Gazeta do Povo, a ideia seria revogar o Estatuto do Desarmamento. O projeto, detalhado pelo deputado Marcos Pollon, visa substituir as regras atuais por uma legislação que facilite o acesso de civis a armas de fogo.
‘Você está especulando N cenários e antecipando o que a gente chama de muita promessa’, diz. Para ele, pode ser que esse cenário aconteça no final de 2027, pode ser que aconteça uma mudança regulatória aqui no Brasil em 2028.
Em 2018, antes de Jair Bolsonaro ser eleito, a empresa também viu sua ação disparar. Porém, logo houve realizações, com as medidas de Bolsonaro questionadas pela Justiça.