Mercados

Nem PETR4 nem BBAS3: É a Taurus (TASA4) que dobra de preço com ‘trade eleitoral’ de Flávio Bolsonaro; entenda o movimento — e os riscos

23 set 2026, 19:15 - atualizado em 23 set 2026, 19:23
Flavio Bolsonaro
Eleição de Flávio Bolsonaro é vista como positiva para Taurus (Imagem: REUTERS/Diego Vara)

Enquanto bancos elegem os seus papéis para aproveitar o ‘trade eleitoral’, uma ação escondida e pouco coberta por analistas chegou a saltar mais de 100% com a ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais: a Taurus (TASA4).

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Entre a mínima, em junho, e a máxima, em 21 de setembro, o papel saltou 121%, segundo dados do Google Finance.

A eleição de Flávio pode trazer alívio sobretudo para o principal entrave da companhia no momento: o governo Donald Trump. A fabricante foi uma das mais atingidas pelas tarifas do governo americano sobre o Brasil. Isso porque grande parte da produção da empresa, sediada em São Leopoldo (RS), é exportada para os Estados Unidos, o maior consumidor de armas do mundo.

No ápice das tarifas, no ano passado, quando a taxação chegou a 50%, o CEO Salesio Nuhs chegou a dizer que a taxa poderia inviabilizar completamente as operações da companhia. Com a suspensão e a nova rodada de tarifas, a aplicação cumulativa sobre os produtos brasileiros exportados para os EUA caiu para 37,5%, mas ainda é alta.

‘Talvez hoje, das empresas listadas, certamente a Taurus é uma das que mais sofre por conta das tarifas’, destaca Marcos Saravalle, CIO da Krivo Capital, que acompanha o papel. Segundo ele, em um cenário em que as tarifas deixem de existir, a geração de caixa poderia ‘ser na veia’. ‘A Taurus até poderia ser um pouco mais agressiva em preços e aumentar o market share (participação de mercado). Então, é um fator duplo.’

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Nos seus cálculos, a queda das taxas poderia adicionar de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões ao Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A companhia fechou o segundo trimestre com Ebitda de R$ 124 milhões, ou seja, o valor poderia mais que duplicar.

Some-se a isso o fato de a empresa também estar bastante ‘amassada’ na bolsa. Nos últimos cinco anos, perdeu 60% do seu valor de mercado. Os números já eram fracos antes das tarifas de Trump. As taxas foram apenas a ‘pá de cal’.

‘A empresa tem um desafio externo, um desafio interno, tudo isso se mostra em resultados bem mais fracos. Por outro lado, a base está muito mais fraca. Então, qualquer melhoria seria realmente crucial para a companhia e para as ações.’

Cenário doméstico

Com uma legislação restritiva para armas, a empresa tem pouca participação no mercado brasileiro e deve continuar assim, segundo Saravalle. ‘O mercado interno nunca vai ser o mais relevante para a companhia. Pode ser mais representativo, mas longe de ser o mais relevante.’

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A questão, segundo ele, é que o mercado aqui é mais rentável. Mesmo representando menos de 40% da receita, tem espaço para crescer e traz margem de geração de caixa.

Ou seja, uma possível política de Flávio Bolsonaro para aquecer o mercado de armas poderia ser benéfica para a companhia. ‘O Bolsonaro entrando tem a possibilidade de retomar o crescimento do mercado interno.’

Os riscos

O problema disso tudo é que se trata de um cenário altamente especulativo. Não se sabe se Flávio vai conseguir, de fato, mudar a legislação sobre armas, por exemplo. Segundo o jornal Gazeta do Povo, a ideia seria revogar o Estatuto do Desarmamento. O projeto, detalhado pelo deputado Marcos Pollon, visa substituir as regras atuais por uma legislação que facilite o acesso de civis a armas de fogo.

‘Você está especulando N cenários e antecipando o que a gente chama de muita promessa’, diz. Para ele, pode ser que esse cenário aconteça no final de 2027, pode ser que aconteça uma mudança regulatória aqui no Brasil em 2028.

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Em 2018, antes de Jair Bolsonaro ser eleito, a empresa também viu sua ação disparar. Porém, logo houve realizações, com as medidas de Bolsonaro questionadas pela Justiça.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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