Reportagem Especial

Novo Pix? O plano do Inter (INTR) para dominar mercado bilionário de pagamentos internacionais que bancões ignoram

13 jul 2026, 7:00
Cassio Segura, country manager do Inter nos EUA, fala sobre a nova avenida do Inter (Imagem: Divulgação/Banco Inter)

Não é novidade que o Pix caiu no gosto dos brasileiros. De maneira praticamente instantânea, é possível transferir valores e, o melhor, sem custos. O modelo implementado pelo Banco Central sepultou os antigos e demorados DOC e TED. E, se essas transferências já eram caras e lentas, enviar ou receber dinheiro do exterior era um processo ainda mais burocrático.

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Para atacar esse problema, algumas instituições encontraram uma solução: criar uma infraestrutura própria para que as transações ocorram com a mesma agilidade do Pix. E é exatamente esse caminho que o Inter (INTR;INBR32) pretende explorar. O banco aproveita algumas vantagens, como o fato de possuir licença bancária nos Estados Unidos, para avançar nessa frente.

Ter um modelo cross-border, como é chamada a iniciativa, faz ainda mais sentido para um banco que não quer ter “Inter” apenas no nome, mas também na operação.

“Isso se encaixa perfeitamente na nossa estratégia de expansão global. À medida que passamos a atender clientes a partir dos Estados Unidos, precisávamos oferecer um relacionamento financeiro verdadeiramente global”, afirma Cassio Segura, country manager do Inter nos EUA, em entrevista ao Money Times.

Com a ferramenta, é possível enviar e receber recursos em diversas moedas internacionais, com liquidação praticamente em tempo real. Além dos clientes do Inter, a infraestrutura também atende empresas. E tem alcance globa, permitindo transferências para qualquer lugar do mundo.

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O Inter também atende grandes pagadores internacionais. Outros bancos, por exemplo, utilizam sua infraestrutura para realizar pagamentos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

“Temos, obviamente, nesse mercado, o C2C, consumidor para consumidor; o B2C, consumidor para empresa, e vice-versa; e o B2B, de empresa para empresa. Nesses três segmentos, contamos hoje com uma infraestrutura de ponta para processar essas operações para países do mundo todo, de forma instantânea e segura”, destaca o executivo.

Nadando praticamente sozinho

Outra vantagem desse negócio é que o Inter praticamente nada sozinho. Segura afirma que existem plataformas independentes atuando nesse mercado, “mas não vemos os grandes bancos focados nesse modelo de negócio”.

“Entre os bancos múltiplos com licença completa, acreditamos que o Inter possui hoje a estrutura mais avançada e o portfólio de soluções mais completo. Os grandes bancos brasileiros ainda não têm essa linha de negócios como prioridade”, diz.

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Naturalmente, segundo ele, esse cenário tende a mudar. “Com o tempo, eles passarão a olhar para esse mercado. Neste momento, porém, o Inter é o banco mais bem posicionado nesse segmento.”

Além disso, o executivo destaca outro diferencial importante: a forte presença da instituição tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

“Hoje somos referência em pagamentos nos dois países. Temos empresas brasileiras, israelenses, japonesas, argentinas e de diversas outras nacionalidades conectadas à nossa plataforma.”

Segundo ele, essas empresas utilizam a infraestrutura para realizar pagamentos no Brasil e nos Estados Unidos com a mesma eficiência, seja para uma única transação, seja para centenas ou até milhares de pagamentos processados simultaneamente.

Donald Trump é uma ameaça?

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Em meio aos ataques do presidente Donald Trump ao Pix, surge a dúvida sobre a possibilidade de o sistema enfrentar algum tipo de obstáculo regulatório.

O Pix entrou na mira do governo americano por meio de uma investigação comercial baseada na Seção 301, sob a alegação de que a ferramenta promove “concorrência desleal” contra operadoras americanas de cartão de crédito e ameaça a hegemonia global do sistema financeiro liderado pelos Estados Unidos.

Existe risco regulatório para esse tipo de operação do Inter? Segura afirma que não. “Embora exista uma analogia quando falamos em um ‘Pix internacional’, na prática não há qualquer correlação entre uma coisa e outra.”

Segundo ele, a plataforma utilizada pelo Inter — chamada tecnicamente de rails, ou infraestrutura de conexão para pagamentos — é diferente e não faz parte das discussões envolvendo o Pix no contexto regulatório americano.

Brasil na vanguarda

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Ainda segundo Segura, foi o ambiente de inovação criado no Brasil que permitiu ao Inter desenvolver uma solução competitiva.

“Somos uma multinacional brasileira, um banco brasileiro, e conseguimos levar essa tecnologia de cross-border para os Estados Unidos em condições bastante competitivas.”

O Inter replica no mercado americano um modelo que, segundo o executivo, foi construído “com muito sucesso no Brasil”.

“Hoje temos parceiros internacionais que, muitas vezes, nem conheciam o Inter como banco brasileiro. Eles passaram a nos conhecer pela nossa capacidade de processamento de pagamentos internacionais e, posteriormente, nos contrataram também para operar nos Estados Unidos.”

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Dentro do projeto de expansão internacional do banco, a solução de cross-border tornou-se uma vertical estratégica.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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