Nubank (ROXO34) tem o gatilho que faltava e chega a disparar 13%, mas pode subir muito mais, veem analistas
O Nubank (ROXO34) entrou em campo na temporada de balanços pressionado. No ano, o roxinho não entrega sua melhor atuação, com a disparada dos custos e as apostas em outros países, como nos Estados Unidos, sendo questionadas pelos investidores.
O próprio cenário do Brasil também não ajuda. Porém, o segundo trimestre dissipou os temores e fez a ação, que já era considerada barata por analistas, saltar até 13%.
Por volta das 13h19, as ações negociadas na NYSE disparavam 11,05%, a R$ 13,75.
No final, o lucro foi de US$ 1,06 bilhão, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 33%, aumento de 22% em relação ao trimestre anterior e de 67% em relação ao ano anterior, além de ficar 10% acima das expectativas do mercado.
O principal ponto que preocupava o mercado era a inadimplência. Outros bancos sentiram o peso dos calotes em seus balanços, enquanto elevavam suas provisões.
O Banco do Brasil (BBSA3), por exemplo, viu sua inadimplência mais que dobrar, de 7% para 14% no cartão de crédito, um dos principais produtos do Nubank.
Porém, o que se viu foi um controle maior do roxinho, embora o Citi tenha destacado a piora dos empréstimos pessoais. De todas as formas, o BTG, por exemplo, diz que as expectativas para o balanço já eram altas e que o roxinho conseguiu superá-las.
‘Considerando as crescentes preocupações dos investidores sobre a saúde dos consumidores e a temporada de resultados mais fraca até o momento no Brasil, o segundo trimestre da Nu tornou-se cada vez mais relevante.’
Margens impressionam
Para o Citi, o ponto alto do trimestre foi a receita, com forte crescimento de 13% no trimestre e de 8% nas tarifas.
A carteira de empréstimos também continuou a crescer a um ‘ritmo sólido’, de 44%. Em relação à qualidade dos ativos, o custo do crédito diminuiu 6%, para US$ 1,7 bilhão, embora tenha disparado 60% no ano.
‘A receita permaneceu excepcionalmente forte, impulsionada pelo rápido crescimento da carteira de empréstimos e pela expansão contínua para segmentos de clientes de maior risco’, afirmam.
O Nubank também pode ter ganhado uma forcinha do Desenrola, programa do governo federal para ajudar endividados.
Para o JPMorgan, enquanto os investidores mais otimistas estavam trabalhando com uma margem ajustada ao risco de aproximadamente 11%, o Nubank entregou 12,4%, ‘o que significa que este é um resultado sólido, mesmo para aqueles que estavam otimistas antes da divulgação dos resultados’.
‘A melhoria foi impulsionada por uma combinação de custo de risco e NIM, o que, em nossa opinião, torna o resultado ainda melhor, embora precisemos de mais visibilidade sobre o quanto o Desenrola contribuiu para isso.’
Em entrevista à Reuters, Rob Livingston disse que, de fato, o Nubank foi beneficiado pelo programa Desenrola, de refinanciamento de dívidas para pessoas físicas, lançado pelo governo federal este ano.
Contudo, ele acrescentou que a tendência de melhora existiria mesmo sem o programa, dada a sazonalidade e o fato de que a adesão ao Desenrola representou apenas 5% do custo total de crédito do banco.
Já a margem de juros líquida (NIM) subiu 180 pontos-base em relação ao trimestre anterior, atingindo um recorde de 22,9% (o consenso era de 21%). A questão, segundo o JPMorgan, é se o banco vai conseguir manter a sustentabilidade desses níveis.
O que fazer com o Nubank?
De maneira geral, os analistas mantiveram as recomendações de compra para o roxinho, sem, contudo, deixar de ressaltar alguns pontos de preocupação.
O Safra, que possui recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 22, potencial de 58%, diz que, embora o resultado tenha sido inegavelmente forte, ‘continuamos a observar sinais de deterioração da qualidade dos ativos à medida que o ciclo de crédito amadurece’.
Para o BTG, mais importante do que os resultados foi a mensagem de que não houve mudanças nos padrões de subscrição ou no apetite por crescimento.
‘Isso, combinado com uma margem de juros líquida ajustada ao risco em torno de 12%, nos dá uma segurança significativa de que nossas estimativas de lucro de aproximadamente US$ 4,2 bilhões para este ano, assim como as do mercado, serão atingidas ou superadas.’
Mesmo assim, o banco diz que não é possível ignorar a deterioração do cenário macroeconômico brasileiro e as crescentes preocupações sobre como um ciclo de crédito negativo pode impactar a Nu.
‘Mesmo que ela continue a ter um desempenho claramente superior nos segmentos em que atua, isso pode limitar a capacidade das ações de valorizarem ainda mais no curto prazo.’
‘O segundo trimestre foi uma vitória clara, mas a guerra ainda não acabou e a Nu terá que provar seu valor repetidamente.’