“Alta do petróleo veio para ficar”, diz especialista da Nomad
Os mercados seguem acompanhando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e caminham para fechar a semana no negativo. Investidores continuam apresentando cautela diante dos preços do petróleo — e a visão de parte do mercado é que a alta recente veio para ficar.
No Giro do Mercado desta sexta-feira (20), a jornalista Giovana Leal recebe Danilo Igliori, economista da Nomad Investimentos, para repercutir os principais movimentos no mercado hoje.
Por volta do meio-dia, o Ibovespa (IBOV) caía 1,65%. Neste horário, apenas Cemig (CMIG4) e Prio (PRIO3) estavam positivas.
Em um dia tão movimentado, Igliori comentou a baixa. “O grande tema da semana é a guerra no Irã. Os mercados estão começando a precificar a perspectiva de que o conflito dure mais tempo do que o esperado”, afirmou o especialista.
Também no Brasil, o mercado acompanha a saída de Fernando Haddad, ministro da Fazenda, do seu cargo para disputar o governo de São Paulo. O secretário executivo, Dario Durigan, é quem assume a pasta interinamente até o final de 2026.
Além disso, a possível greve dos caminhoneiros, que esteve no radar durante a semana, foi descartada, após medidas do governo federal para o controle dos preços do diesel.
No cenário internacional, o conflito entre Estados Unidos e Irã se encaminhando para quarta semana amanhã (21). Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o presidente Donald Trump afirmou considerar tomar a ilha de Kharg (KARG) para forçar a reabertura do Estreito.
Para o especialista da Nomad, a duração da guerra tem impactado as economias globais mais do que o esperado. “Na prática, o que aconteceu foi um ajuste muito forte das expectativas sobre os juros. As expectativas eram de pelo menos mais um corte nos EUA até o final do ano, mas agora as apostas para 2026 e uma boa parte de 2027 é de manutenção”, apontou.
“O aumento do preço do petróleo veio para ficar por um bom tempo e isso terá repercussão em vários outros setores da economia global”, completou.
Nesta manhã, o petróleo do tipo Brent caía, chegando a ser negociado na casa dos US$ 107. As referências de petróleo no Oriente Médio, como as de Omã e Dubai, estavam sendo negociadas acima dos US$ 150 o barril. De acordo com o J.P. Morgan, os preços refletem com maior precisão o tamanho da disrupção no mercado físico de petróleo.
Para Igliori, os preços acima dos níveis globais no Oriente Médio representam uma grande preocupação dos mercados a médio e longo prazo. “A volatilidade vai ser muito presente, apesar de que novos desdobramentos possam gerar algum alívio momentâneo”, comentou.
*Com supervisão de