AgroTimes

O ciclo do boi virou, mas até onde vão os preços da arroba?

26 fev 2026, 12:50 - atualizado em 26 fev 2026, 12:50
boi gordo exportações
(Foto: Reuters/Paulo Whitaker)

O início de 2026 já traz sinais mais claros de virada no ciclo pecuário. Após um 2025 ainda marcado por descarte elevado de matrizes, os dados deste começo de ano apontam para desaceleração na participação de fêmeas nos abates e início mais consistente de retenção no campo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na B3, esse movimento estrutural — que indica uma futura oferta mais enxuta — começa a se refletir nos preços. O contrato do boi gordo com vencimento em março de 2026 acumula alta de 10,68% no ano, negociado ao redor de R$ 350 por arroba.

Além do ajuste na oferta, 2026 começou com aceleração da demanda, fator que deve continuar sustentando o mercado ao longo do ano.

“Acredito que teremos um movimento de oferta mais cadenciada até o começo de 2028. Para 2026, está claro que será um ano bem demandado, o que continua dando tração aos preços da arroba. No fim, o que vai dizer até onde ela pode chegar é a margem da indústria frigorífica”, afirma Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria.

Demanda interna e externa dão suporte

Mesmo com a valorização em reais, a carne bovina brasileira segue competitiva no mercado internacional. O cenário global aponta para oferta mais restrita entre grandes players e preços da carne em patamares elevados, o que mantém o ambiente favorável às exportações em 2026 e, estruturalmente, também em 2027.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No lado doméstico, o ambiente também contribui. Segundo Fabbri, a combinação de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, taxa de desocupação em mínima histórica e rendimento médio das famílias em alta cria sustentação ao consumo.

“Neste começo de 2026 tivemos a isenção do IR, que é importante para a demanda. Também temos a menor taxa de desocupação da história, ainda que o endividamento das famílias esteja elevado. Mas, com renda média nas máximas, esse endividamento não necessariamente significa retração do consumo”, avalia.

Além disso, o ano eleitoral tende a manter estímulos à economia, favorecendo a demanda por proteínas de forma geral.

O papel decisivo da indústria nos preços do boi

Para a Scot, a arroba pode superar os R$ 360 — máxima registrada em 2024 — tanto no primeiro quanto no segundo semestre, caso o ambiente siga favorável.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fabbri destaca ainda que as medidas de salvaguarda adotadas pela China acabaram antecipando a procura por carne bovina brasileira neste início de ano, movimento que tradicionalmente ocorre com mais intensidade no segundo semestre.

“O pecuarista consegue segurar um pouco mais a boiada neste momento e enxergamos um processo escalonado de retenção. Em resumo, 2026 tem tudo para ser um ano de arroba firme e em alta. Pode chegar a R$ 400, R$ 500, mas isso depende da margem da indústria. Se houver margem, o preço vai; se não houver, não se sustenta.”

O histórico recente reforça esse ponto. Em 2024, quando a arroba girou próxima de R$ 360, a margem da indústria no atacado de carne desossada ficou em torno de 4% a 5%, patamar considerado bastante apertado. Sem espaço para absorver novos aumentos, o mercado perdeu sustentação e, posteriormente, a arroba recuou para perto de R$ 290 na mínima registrada em julho de 2025.

“Se adotarmos essa faixa de 4% a 5% como referência, a saúde da margem da indústria será determinante para saber até onde o preço pode ir”, conclui o analista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
Linkedin
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
Linkedin
Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado agro?

Editoria do Money Times traz tudo o que é mais importante para o setor de forma 100% gratuita

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar