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“O que é o projeto Libra 2.0?” em apenas cinco minutos

24/04/2020 - 15:57
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Entre idas e vindas, confira, neste artigo, um resumo de toda a saga da “criptomoeda do Facebook” (Imagem: Crypto Times)

A segunda iteração do projeto Libra do Facebook foi anunciada. É a mesma iniciativa, mas com um reviravolta regulatória e amigável.

No site da Messari, você pode conferir (em inglês) o perfil completo sobre o projeto Libra, mas vamos à versão mais resumida sobre o projeto, desde 2017 até agora.

O que é Libra?

Libra é um sistema de pagamentos com stablecoins baseado em blockchain.

O sistema de pagamentos da Libra fornecerá suporte para stablecoins de moeda única e uma stablecoin multimoedas (≋LBR) que será um conjunto digital de algumas das stablecoins de moeda única disponíveis na rede Libra.

Todas as moedas Libra serão completamente lastreadas em dinheiro ou equivalentes a dinheiro, além de valores mobiliários governamentais de curto prazo apoiados por uma rede de bancos custodiantes distribuída geograficamente.

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A “stablecoin” Libra seria uma moeda de preço estável, lastreada em dinheiro ou valores mobiliários governamentais (Imagem: Facebook/Libra)

História

As origens da Libra datam de 2017, quando Morgan Beller, cocriador da Libra e chefe de estratégia da Calibra, se tornou a primeira pessoa envolvida na iniciativa secreta de blockchain do Facebook.

Meses depois, o CEO Mark Zuckerberg expressou sua intenção de “se aprofundar mais e estudar os aspectos positivos e negativos” dos criptoativos em sua publicação de resoluções de ano-novo.

No dia 8 de maio de 2018, David Marcus, vice-presidente do Facebook, anunciou que iria migrar do departamento do aplicativo Messenger para a iniciativa de blockchain do Facebook, acelerando o ritmo da iniciativa. Em fevereiro de 2019, havia mais de 50 engenheiros de software trabalhando no projeto.

Em maio de 2019, foi confirmado que o Facebook planejava lançar uma stablecoin lastreada por diversas moedas como parte de uma rede de pagamentos, criada para permitir que bilhões de usuários realizem compras on-line e transfiram dinheiro entre si.

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Com a rede Libra, bilhões de usuários poderiam realizar compras on-line e transferir dinheiro entre si (Imagem: Facebook/Libra Association)

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No dia 18 de junho de 2019, Facebook finalmente apresentou Libra: seu sistema permissionado de pagamentos baseado em blockchain.

Seu token, Libra, seria uma stablecoin completamente lastreada por uma cesta de moedas fiduciárias e valores mobiliários governamentais, retida na “Libra Reserve”.

A empresa também anunciou que iria desenvolver uma carteira digital para o projeto com sua nova subsidiária chamada Calibra, liderada pelos cocriadores da Libra Morgan Beller, David Marcus e Kevin Weil.

O blockchain Libra e a Libra Reserve seriam comandadas pela Associação Libra: uma organização suíça com membros responsáveis pela governança da rede Libra e pelo desenvolvimento do projeto Libra.

Os 27 membros planejavam investir US$ 10 milhões cada para receber os tokens de investimento Libra e se tornarem validadores da rede.

Apesar de sua natureza permissionada no lançamento, a associação desejava iniciar a transição para governança e consenso apermissionados em um período de cinco anos.

Na época, legisladores duvidaram da ideia de que a Libra deveria ajudar os pobres e desbancarizados, e criticaram as falhas de segurança anteriores do Facebook (Imagem: Pixabay)

Obstáculos regulatórios 

Libra sofreu represálias de reguladores em todo o mundo, que compartilharam preocupações sobre privacidade e o possível desafio para soberania monetária de diversas nações.

Como consequência, um mês após o anúncio do projeto, Facebook certificou que Libra não seria lançada até que todas as questões regulatórias fossem solucionadas.

Executivos do Facebook participaram de diversas audiências e reuniões com o Congresso dos EUA e diversos governos em uma tentativa de aliviar as preocupações regulatórias.

Em setembro de 2019, foi noticiado que a cesta de reserva da Libra teria 50% de dólares estadunidenses, 18% de euros, 14% de iene japonês, 11% de libra esterlina e 7% de dólares cingapurianos.

Essa composição amigável aos EUA não foi suficiente para reprimir a ansiedade e as pressões regulatórias continuaram.

Em outubro de 2019, PayPal foi a primeira empresa a abandonar a Associação Libra, antes de outros grandes membros fundadores a acompanharem, incluindo Visa e Mastercard.

Em janeiro de 2020, foi noticiado que a Associação Libra estava considerando migrar para uma estrutura de stablecoins múltiplas, em que cada uma fosse lastreada por sua própria moeda individual.

Essa decisão seria bem diferente da abordagem inicial de uma única stablecoin lastreada por uma cesta composta de moedas fiduciárias.

Neste mês, o projeto revelou um novo documento que delineia os novos planos de stablecoins (Imagem: Crypto Times)

O plano reformulado da Libra

No dia 16 de abril de 2020, Libra anunciou seu plano reformulado. Confirmando os rumores, Libra migrou para uma estrutura de múltiplas stablecoins de moeda única, além de sua stablecoin multimoedas Libra.

Com o novo modelo, cada stablecoin de moeda única será lastreada por sua respectiva moeda fiduciária e seus respectivos valores mobiliários governamentais, ou seja, a stablecoin de dólar estadunidense (LibraUSD ou ≋USD) será lastreada por uma reserva de dólares e valores mobiliários dos EUA.

Por outro lado, a stablecoin Libra multimoedas será uma composição de algumas das stablecoins de moeda única disponíveis na rede Libra — bem diferente da proposta inicial de uma moeda única lastreada por uma cesta de diversas moedas fiduciárias e valores mobiliários governamentais em uma única reserva.

A nova proposta da moeda Libra parece menos como uma moeda e mais como os direitos especiais de saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI).

As moedas Libra representam um direito sobre stablecoins retidas em diversas reservas na rede. Esse foi um passo a menos em representar uma reivindicação direta de diversas moedas fiduciárias e diversos valores mobiliários governamentais na Libra Reserve.

De acordo com o novo whitepaper, essas mudanças foram feitas para dar atenção às principais preocupações de reguladores.

Em seguida, o plano reformulado inclui uma estrutura mais abrangente de cumprimento à lei, o abandono da transição para um sistema apermissionado e dos planos de fortalecimento do design da Libra Reserve.

Além disso, para o alívio dos reguladores, permitirá a integração facilitada de moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs) para substituir suas correspondentes stablecoins de moeda única.

De acordo com o chefe do Departamento de Política da Associação Libra, Dante Disparte, a rede Libra poderá ser lançada no fim de 2020.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 24/04/2020 - 15:58