O que Wall Street espera das eleições nos EUA? O histórico do S&P 500 dá pistas
As eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos acontecem nesta terça-feira (3) após semanas de apreensão nos mercados. Na semana passada, o S&P 500 teve um saldo negativo de 0,6% em meio a ajuste de posições.
Apesar da maior aversão a risco, o S&P 500 tende a apresentar um “bom desempenho” após as eleições presidenciais e midterms.
- As eleições renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis.
Segundo uma análise da CNBC, o índice subiu em média 0,2% um dia após o evento, e acumulou uma alta de 1,1% no mês, considerando tanto eleições presidenciais quanto de meio de mandato no período entre 1980 a 2024.
Um ano depois, o índice teve um ganho médio de 13,7% após as eleições de meio de mandato e de 13,8% após as eleições presidenciais. Os retornos foram positivos em 91% dos casos. E o S&P 500 subiu após todas as 11 eleições de meio de mandato realizadas entre 1982 e 2022.
Além disso, a análise mostra que o mercado prefere um governo dividido: um partido no comando da Casa Branca e o outro controlando pelo menos uma das casas do Congresso.
Ao longo de 10 eleições de meio de mandato e cinco eleições presidenciais que não resultaram em um único partido no poder, o índice S&P 500 subiu, em média, 15% após um ano. Os retornos em um ano foram positivos em 14 dos 15 casos. Em comparação, o índice teve um ganho médio de 11,5% no ano seguinte a eleições que resultaram em controle de um único partido.
Poder dividido: o que mais pesa para Wall Street
A possibilidade de os democratas manterem o controle do Congresso com um republicano na Casa Branca — um cenário que pode se concretizar nas eleições de terça-feira — também foi positiva no histórico analisado.
Desta vez, candidatos democratas aparecem à frente nas disputas pelo Senado em cinco dos sete Estados-pêndulo analisados por uma pesquisa do New York Times em parceria com o Siena Research Institute (SRI).
Além disso, os mercados de apostas, proibidos no Brasil, atribuem uma probabilidade de 70% a 72% a uma vitória expressiva dos democratas tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
Segundo o estudo, após as três eleições de meio de mandato (1986, 1990 e 2006) em que os democratas controlavam as duas casas do Congresso e um republicano ocupava a presidência, o índice S&P 500 apresentou uma queda média de 0,5% no dia da reação, mas subiu 3,4% um mês depois e 10,9% após um ano.
Contudo, em cenários em que eventos geopolíticos e choques econômicos dominam o mercado, as eleições de meio de mandato ficam em segundo plano. O índice S&P 500 despencou 22,1% no ano seguinte às eleições de 2000 devido ao estouro da bolha da internet, marcando o pior desempenho pós-eleitoral desde 1980.
Em contrapartida, o melhor ano pós-eleitoral do S&P 500 foi um ganho de 38,3% após as eleições de 2020, quando os mercados se recuperaram massivamente da queda provocada pela Covid-19.