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O ‘trunfo’ do etanol de trigo e da Be8 — mas há uma pegadinha

18 fev 2026, 12:49 - atualizado em 18 fev 2026, 12:49
trigo etanol
O especialista em biocombustíveis Clayton Melo analisou os dois projetos brasileiros de etanol de trigo e apontou as vantagens da Be8 (iStock.com/Alena_Zolot)

O estado do Rio Grande do Sul é a casa de dois projetos de etanol de trigo que começam a ganhar tração em 2026: a planta da CB Bioenergia, em Santiago (RS), e a da Be8, em Passo Fundo (RS).

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O surgimento dessa nova rota para a produção de etanol ocorre em um momento em que o biocombustível à base de milho avança de forma acelerada, levantando dúvidas sobre a viabilidade dos projetos que utilizam trigo como matéria-prima.

Isso porque o trigo compete diretamente com o mercado global de alimentos, tendo seu preço fortemente influenciado pela paridade de importação. Diferentemente do milho no Centro-Oeste, o trigo não conta com desconto logístico em relação aos portos.

Além disso, o Brasil é historicamente deficitário na produção do grão e um grande importador líquido da commodity. Em 2025, o país importou 6,894 milhões de toneladas, o maior volume já registrado em um único ano.

O especialista em biocombustíveis Clayton Melo, ex-executivo da Ultracargo, Argus, entre outras, analisou os dois projetos brasileiros de etanol de trigo e destacou o “trunfo” da planta da Be8.

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“Eu nunca achei que o etanol de trigo fosse funcionar no Brasil, mas considerei muito interessante a lógica por trás do projeto da Be8, que se baseia na extração do glúten vital. Trata-se de um produto de altíssimo valor agregado, muito superior ao DDG do etanol de milho. Cerca de 5% da massa de trigo processada é convertida em glúten vital”, explicou ao Money Times.

Dados da Abitrigo de 2024 indicam preços de importação de US$ 1.830 por tonelada para o glúten vital. O Brasil também é importador líquido do produto, com volume médio anual de cerca de 22 mil toneladas nos últimos três anos. Essa demanda poderia ser totalmente atendida pela Be8, que projeta produção anual de 25 mil toneladas.

“É um projeto muito inteligente, que cria uma linha adicional de receita extremamente relevante e que se soma a uma situação bastante favorável: o prêmio de preço do etanol no Rio Grande do Sul.”

Enquanto uma usina de etanol de milho no Mato Grosso precisa vender com desconto sobre o indicador de referência (Esalq/Paulínia), uma usina localizada no Rio Grande do Sul tende a vender com prêmio, já que o estado não possui produção local suficiente e há custo logístico para o envio do biocombustível de outras regiões.

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“Quando você combina essa receita adicional do glúten vital com o prêmio de preço do etanol, fica claro que uma usina de etanol de trigo com extração de glúten vital faz bastante sentido”, completa.

Mas qual é a pegadinha?

A principal ressalva apontada por Melo é a inviabilidade da construção de novas plantas além da primeira.

“A pegadinha é que não faz sentido construir a segunda, terceira ou quarta usina, porque toda a demanda brasileira por glúten vital será atendida apenas pela primeira planta. A partir da segunda, a conta piora, pois será necessário exportar o produto — e, nesse caso, o preço sofre um desconto significativo.”

Para o especialista, o projeto da Be8 representa um movimento de vanguarda no mercado de etanol de trigo.

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“A Be8 saiu na frente e tem um projeto com tudo para dar certo. Mas, por todas essas razões, não vejo o Brasil se tornando um grande produtor de etanol de trigo.”

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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