O último corte do ano? Mercado discute próximos passos do Copom; veja o que esperar para a Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), levando os juros para 14,25% ao ano.
A decisão está praticamente contratada pelo mercado. O debate agora está concentrado na comunicação da autoridade monetária e, principalmente, na possibilidade de uma pausa no ciclo de flexibilização monetária.
Desde a última reunião, o cenário ficou mais complexo. No exterior, dados mais fortes da economia americana, especialmente o payroll de maio, e as tensões geopolíticas no Oriente Médio provocaram uma reprecificação das expectativas para os juros nos Estados Unidos. No Brasil, a atividade econômica voltou a surpreender positivamente, enquanto a inflação e as expectativas para os próximos anos seguiram se deteriorando.
Nesse contexto, embora haja consenso sobre o corte desta semana, economistas divergem sobre os próximos passos do BC.
Corte de 0,25 ponto é consenso
BMG, XP e Itaú BBA projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião desta semana. Para o economista-chefe do BMG, Flávio Serrano, o Banco Central ainda deve promover um último ajuste antes de adotar uma postura mais cautelosa.
“A gente espera para a reunião dessa quarta-feira 0,25 ponto percentual apenas. E entendemos que o BC endurece a comunicação”, avaliou em entrevista ao Money Times.
O Itaú BBA também entende que o conjunto de informações ainda permite uma redução modesta da Selic. Segundo o banco, mesmo com a deterioração do cenário inflacionário, uma simulação com juros constantes sugere inflação próxima de 3,2% no horizonte relevante da política monetária, patamar compatível com um corte residual neste momento.
Já a XP argumenta que a comunicação do Copom desde a reunião anterior continuou apontando para uma redução adicional dos juros, tornando uma interrupção imediata do ciclo menos provável.
O comunicado será mais importante que a decisão
Se o corte parece definido, a mensagem do Banco Central ainda está em aberto. A expectativa é que o Copom reconheça a piora do cenário para a inflação e adote um tom mais cauteloso.
Na avaliação do Itaú BBA, o comunicado deve indicar que o espaço remanescente para novas reduções ficou mais incerto, sem fechar completamente a porta para movimentos adicionais.
O banco espera que a autoridade monetária mantenha suas opções em aberto para agosto, evitando compromissos antecipados e destacando o aumento das incertezas.
O Itaú também acredita que o Copom não deve alterar o balanço de riscos para uma configuração explicitamente assimétrica. Segundo o banco, isso poderia levar o mercado a discutir novas altas de juros de forma mais concreta, algo que ainda não parece compatível com o cenário-base.
A XP compartilha uma visão semelhante. A corretora espera que o comunicado retire as referências aos “próximos passos da calibração dos juros”, sinalizando que uma pausa pode estar próxima, mas sem decretar oficialmente o encerramento do ciclo.
Para Serrano, do BMG, a mudança de tom deve ser bastante perceptível. “Hoje, a mensagem é: enquanto der, eu vou cortando. Agora parece que o BC vai assumir uma comunicação mais próxima de: se der, eu corto; se não der, eu paro”.
O que divide os economistas?
A principal divergência entre as casas não está na decisão desta semana, mas no que acontecerá depois dela.
A XP é a mais cautelosa. A corretora destaca a reaceleração da atividade econômica, a piora das expectativas de inflação, os núcleos ainda elevados e um câmbio menos favorável ao processo de desinflação. Nesse contexto, avalia que o Copom está muito próximo de interromper o ciclo de flexibilização, embora ainda mantenha em seu cenário-base dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual, até uma Selic de 14%. A casa também espera um comunicado mais duro, preparando o mercado para uma possível pausa.
O Itaú BBA adota uma posição intermediária. O banco entende que a combinação de atividade aquecida, mercado de trabalho resiliente, novos estímulos econômicos e piora qualitativa da inflação reduziu o espaço para cortes mais profundos dos juros. Ainda assim, avalia que o cenário continua compatível com uma redução residual nesta reunião e espera que o Copom mantenha as opções em aberto para agosto, destacando que o espaço remanescente para novas calibrações ficou mais incerto.
Já o BMG acredita que o Banco Central deve interromper os cortes em breve para avaliar os efeitos do aperto monetário já implementado, sem que isso represente necessariamente o fim do ciclo. Segundo o economista-chefe, a pausa serviria para observar a evolução da atividade e da inflação antes de eventuais novas reduções.
“A gente entende que o BC vai preferir parar em breve para dar uma avaliada e entender o quanto o ciclo de calibração vai produzir impacto na economia”, argumenta Serrano. Na visão do economista, se o cenário permitir, o BC poderá voltar a discutir cortes no fim do ano ou início de 2027.