‘O problema é o risoto em 6 vezes sem juros’: Galípolo explica preocupação com a oferta predatória de crédito
O Banco Central estuda medidas para conter a oferta predatória de crédito e ajudar consumidores a perceber o custo de modalidades mais caras antes de contratá-las. Durante a coletiva do Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, afirmou que as propostas serão apresentadas gradualmente, mas não detalhou quais regras serão adotadas nem quando entrarão em vigor.
“Se você tiver uma oferta predatória de crédito, a gente precisa pensar em limitações a ela”, disse. Segundo Galípolo, o BC trabalha em duas frentes: restringir práticas de oferta que considera agressivas e criar etapas na contratação que levem o cliente a avaliar melhor a dívida que está assumindo.
A preocupação é que, diante de juros muito altos, parte dos consumidores olhe apenas para o valor da parcela que cabe no orçamento, sem perceber quanto pagará pelo empréstimo ao final. Para Galípolo, informações e alertas durante a contratação podem ajudar essas pessoas a identificar uma linha de crédito mais adequada às suas necessidades.
O presidente do BC também fez uma distinção entre tipos de endividamento. No financiamento imobiliário, observou, a família assume uma dívida para adquirir um imóvel. Já o parcelamento de gastos cotidianos pode contribuir para uma dinâmica mais preocupante.
“O problema é o risoto seis vezes sem juros. Aí você tem um problema”, afirmou.
Galípolo ressaltou que o BC precisa calibrar as medidas para evitar que restrições aplicadas às instituições sob sua supervisão empurrem a oferta de crédito para agentes sobre os quais tem menos alcance. Ele citou experiências internacionais que vão de exigências adicionais para consumidores vulneráveis a limites para a oferta de cartão de crédito, mas não anunciou a adoção dessas regras no Brasil.