Oncoclínicas (ONCO3) conclui venda da espanhola Medsir por valor simbólico de 1 euro; veja
A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado que sua controlada, Idengene Medicina Diagnóstica, concluiu a venda da totalidade de sua participação na empresa espanhola Medica Scientia Innovation Research (Medsir) para a MAJ 3, que passou a deter 100% do capital social da empresa.
A transação foi efetivada por 1 euro e também envolveu o encerramento da arbitragem que havia sido requerida pela MAJ 3, mostra o comunicado divulgado na noite de terça-feira (22).
Mesmo com o valor simbólico, a companhia também ganha com o encerramento de suas obrigações e da Idengene de realizarem pagamentos futuros que poderiam atingir o montante de 52 milhões de euros.
O acordo ainda prevê o recebimento de repagamento parcial de um empréstimo conversível no montante de 350 mil euros a serem destinados à compra de medicamentos.
Segundo a Oncoclínicas, a transação foi realizada no contexto da decisão da companhia de desinvestir de ativos non-core.
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Pressão financeira
A Oncoclínicas anunciou ao mercado em meados de julho pedido de recuperação extrajudicial como parte do processo de reestruturação de sua dívida financeira, estimada em R$ 5,1 bilhões.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. A ideia é chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores.
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de eventos, sendo o principal a tentativa de expansão da companhia, após a sua oferta pública de ações (IPO) em 2021.
Isso porque a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio, no entanto, expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Somado a isso, do lado macro, o aumento da taxa básica de juros (Selic) no Brasil impactou a o custo financeiro da dívida, a capacidade de geração de caixa e o processo de desalavancagem da companhia. Já no micro, o aumento de revisões pelas operadoras de planos de saúde, o alongamento dos prazos, entre outros, se juntaram ao cenário.