Oncoclínicas (ONCO3): JP Morgan mantém cautela mesmo com duas propostas de aporte na mesa; o que fazer com as ações?
A Oncoclínicas (ONCO3) anunciou nesta manhã que seu acionista MAK Capital Fund LP está interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões. Na visão do JP Morgan, a proposta é mais uma evidência da necessidade de capital de curto prazo da companhia.
A equipe de analistas do banco, liderada por Joseph Giordano, pondera que a proposta também reforça o valor estratégico dos ativos da Oncoclínicas e sua exposição ao mercado de oncologia, já que outro investidor está demonstrando disposição para aportar capital.
“Ainda assim, consideramos a transação com Porto/Fleury como o desfecho mais provável no curto prazo, dado o período de exclusividade de 30 dias em vigor”, diz o JP Morgan.
Na última semana, a Oncoclínicas e a Porto firmaram um term sheet (termo de natureza preliminar e não vinculante) para negociar uma potencial constituição de uma nova empresa, em meio à pressão financeira que a rede de serviços oncológicos enfrenta.
O Fleury (FLRY3) também entrou na jogada, tendo aderido ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas.
A análise preliminar do banco sugere que pode haver valor residual limitado para os acionistas da ONCO3 caso a transação proposta atualmente se concretize. Neste cenário, o JP Morgan mantém a recomendação Underweight (equivalente à venda) para ONCO3.
As propostas na mesa
O termo envolvendo o Fleury e a Porto prevê que a Oncoclínicas aportaria para a nova empresa os ativos e operações que detém relacionadas às clínicas oncológicas, bem como endividamentos e passivos no valor total de, no máximo, R$ 2,5 bilhões.
Já Fleury e Porto investiriam, em conjunto, R$ 500 milhões na nova companhia por meio de uma holding, da qual seriam os únicos acionistas, e por meio da qual passariam a deter o controle da empresa.
Essa nova empresa emitiria debêntures voluntariamente conversíveis em ações ordinárias de sua emissão (debêntures conversíveis), que seriam subscritas pela holding, pela Porto ou pelo Fleury, observado que a Oncoclínicas teria o direito de também subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do volume total.
Por fim, as debêntures conversíveis teriam o valor total de R$ 500 milhões, com vencimento em 48 meses do seu desembolso e remuneração equivalente a 110% do CDI, sendo que a conversão poderia ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão, ou se verificado um evento de liquidez da NewCo.
Para o JP Morgan, a lógica estratégica é clara, já que a operação separaria a plataforma de clínicas oncológicas, traria capital novo de parceiros estratégicos e simplificaria a estrutura de balanço ao transferir uma parcela relevante dos passivos para a nova estrutura.
“Com isso, a ONCO3 ficaria menos exposta ao atual nível elevado de alavancagem e mais diretamente ligada ao valor de sua participação remanescente na plataforma de oncologia”, diz o JP Morgan.
Após o anúncio do estudo da transação, uma das principais dúvidas dos investidores tem sido o valor das ações da ONCO3 caso o negócio se concretize. O cálculo preliminar do banco indica que há potencial de queda em relação aos preços atuais, mesmo sob premissas mais construtivas para a ONCO3 e para a NewCo no cenário pós-transação.
Em termos gerais, o banco continua a ver risco de queda em relação aos níveis atuais, o que sustenta a recomendação Underweight para ONCO3.
No caso da MAK Capital, o aporte estaria condicionado à convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre cinco tópicos.
O primeiro é a informação e discussão sobre a situação econômico-financeira da Oncoclínicas, incluindo, sem limitação, as medidas adotadas ou em curso para repactuação de vencimentos e proteção da operação.
Somado a isso, o acionista pede a destituição dos membros do conselho de administração, a fixação do número de membros para compor o conselho durante o mandato em curso e a eleição dos membros do conselho de administração e aprovação da qualificação dos membros independentes.
Por fim, o aporte da MAK Capital Fund LP estaria condicionado à indicação do presidente e vice-presidente do conselho de administração.