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Oncoclínicas (ONCO3): JP Morgan vê caminho para aberto para capitalização e diz o que fazer com a ação; veja

16 abr 2026, 12:55 - atualizado em 16 abr 2026, 12:55
Oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) reagem positivamente ao fôlego que a companhia garantiu com a MAK e Lumina Capital. Em meio à problemas para a compra de medicamentos e atrasos no tratamento de pacientes, a rede de tratamentos oncológicos irá obter um financiamento da Lumina entre R$ 100 e R$ 150 milhões.

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Com esse dinheiro, a companhia poderá realizar a compra de medicamentos da OncoProd, sua principal fornecedora, que vinha limitando as vendas em meio aos problemas de caixa enfrentados pela Oncoclínicas.

A operação será garantida por meio de cessão iduciária de recebíveis de contratos com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras.

Para atender às condições impostas por MAK e Lumina, o conselho aceitou a renúncia imediata de Bruno Ferrari como membro e vice-presidente do conselho, e nomeou o indicado pela MAK, Mateus Affonso Bandeira, e o CEO Carlos Gil Ferreira para ocupar as vagas abertas no conselho até a assembleia de acionistas de 30 de abril de 2026.

O JP Morgan destaca que a injeção de capital já era esperada, especialmente após a medida cautelar que suspendeu o vencimento antecipado de dívidas e outras cláusulas relacionadas a passivos.

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“A proposta também abre caminho para uma capitalização, sobretudo após a retirada da proposta Fleury e Porto Seguro”, pondera a equipe de analistas liderada por Joseph Giordano.

Por volta de 12h30 (horário de Brasília), as ações ONCO3 subiam 5,04%, cotadas a R$ 1,46. Acompanhe o tempo real.



Luz no fim do túnel?

Na leitura do JP Morgan, embora o custo da dívida dessa operação possa ser elevado (termos não divulgados), ela ainda indica uma potencial capitalização no nível da ONCO3, juntamente com uma reestruturação adicional da dívida.

“Além disso, a saída de Bruno Ferrari tende a ser bem recebida pelo mercado, pois promove renovação no conselho e melhorias de governança, especialmente no contexto de um possível novo investidor financeiro, que deve trazer mudanças estratégicas e maior disciplina de capital — algo que deve se refletir no conselho”, avaliam os analisas do banco.

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A Oncoclínicas realizará sua assembleia de acionistas em 30 de abril. A expectativa do JP morgan é nessa datam tenham atualizações sobre a proposta da MAK Capital e maior clareza sobre a nova composição do conselho.

O banco mantém recomendação Underweight (equivalente à venda) para as ações da Oncoclínicas.

Destituição do conselho

Na última semana, o então presidente do conselho de administração da Oncoclínicas, Marcelo Gasparino, renunciou ao cargo de membro do colegiado. Devido à sua eleição ter ocorrido por voto múltiplo, a renúncia dele exige uma reformulação de todo o conselho.

Isso ocorre porque o mecanismo de voto múltiplo prevê que cada acionista receba um número de votos proporcional às suas ações multiplicado pelo número de vagas no conselho. A partir disso, acionistas minoritários conseguem eleger representantes.

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No entanto, quando o mecanismo é utilizado, o corpo de membros eleito é visto como um bloco único eleito dentro da proporcionalidade do voto múltiplo. A lei ligada ao mecanismo prevê a possibilidade de destituição geral quando há uma renúncia.

Neste cenário, a companhia irá deliberar a eleição de novos membros do conselho em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 30 de abril.

Quando isso ocorreu, uma proposta da MAK Capital já estava na mesa, sob algumas condições, sendo que entre elas estava justamente a destituição dos membros do conselho de administração, além da fixação do número de membros para compor o conselho durante o mandato em curso e a eleição dos membros do conselho de administração e aprovação da qualificação dos membros independentes.

O que aconteceu com a Oncoclínicas?

Na última semana, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.

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A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.

A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

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Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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