OranjeBTC (OBTC3) registra prejuízo de R$ 470 milhões no primeiro balanço e lança ADRs nos EUA
A OranjeBTC (OBTC3) divulgou seu primeiro balanço como companhia aberta na noite da última terça-feira (24), reportando um prejuízo líquido de R$ 469,9 milhões em 2025, de acordo com documento enviado à CVM.
A receita líquida da companhia atingiu os R$ 2,8 milhões, além de uma reserva em tesouraria de 3.722,3 unidades de bitcoin (BTC) no fim do ano.
Junto com o resultado, a companhia também anunciou que irá lançar ações nos Estados Unidos por meio de um programa de ADRs (American Depositary Receipts, recibos de ações negociados no exterior).
Vale dizer que uma parcela significativa do prejuízo veio de prejuízos não realizados com o bitcoin, como explicou Guilherme Gomes, CEO da OranjeBTC, em conversa com o Crypto Times.
“Obviamente o bitcoin tem que ser marcado a um valor justo no balanço. O prejuízo não realizado foi de cerca de R$ 460 milhões de reais e 96% disso foi atrelado a movimentação do preço do bitcoin”, diz Gomes.
A OranjeBTC entrou no mercado brasileiro em outubro de 2025, quando o preço do bitcoin estava acima dos US$ 100 mil. Naquele mesmo mês, a criptomoeda engatou em uma espiral de queda e chegou a tocar os US$ 62 mil no pior momento dos últimos meses.
Mesmo assim, Gomes segue confiante na tese de longo prazo do bitcoin.
“A estrutura de capital da companhia continua forte. Temos cerca de R$ 20 milhões em caixa, somos muito bem capitalizados e temos um custo operacional enxuto, de R$ 4 milhões por trimestre aproximadamente. O objetivo da companhia continua o mesmo e queremos ser operacionalmente lucrativos já no último trimestre deste ano”.
OranjeBTC de malas prontas para os EUA
Sobre o lançamento dos ADRs, Gomes explica que trata-se de uma estratégia voltada para os investidores que estiveram com a empresa durante as primeiras captações antes da Oranje entrar na bolsa brasileira.
Essas rodadas de investimento privadas aconteceram no exterior e, segundo o CEO da empresa, parte desses investidores tinham o desejo de aumentar a exposição à Oranje, mas não conseguiam em virtude das barreiras para entrar na bolsa brasileira.
Com os ADRs, torna-se possível investir na companhia diretamente no ambiente norte-americano. “Os ADRs serão lastreados em ações ordinárias de emissão da Companhia, depositadas junto à instituição depositária contratada, The Bank of New York Mellon (BNYM), nos termos da regulamentação aplicável. A implementação do programa estará sujeita à conclusão das etapas operacionais e regulatórias pertinentes, incluindo a celebração dos contratos aplicáveis e o cumprimento das exigências legais e regulatórias no Brasil e no exterior”, diz o documento enviado ao mercado.