Ouro fecha cai mais de 1% com tensão entre EUA e Irã e juros dos Treasuries nas máximas
O contrato mais líquido do ouro fechou em queda nesta quarta-feira (23), acompanhando perspectivas de um Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mais restritivo após os juros dos Treasuries voltaram as máximas com tensões entre Estados Unidos e Irã.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para dezembro encerrou em queda de 1,33%, a US$ 4.318,40 por onça-troy.
Já a prata para dezembro caiu 2,35%, a US$ 66,96 por onça-troy.
O que mexeu com o ouro hoje?
A queda do ouro acompanhou a alta do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, após o petróleo voltar a subir, interrompendo quase uma semana de quedas consecutivas.
Dirigentes do Fed expressaram preocupações com as perspectivas para a inflação desde que o banco central elevou os juros na semana passada pela primeira vez em três anos, o que penaliza a commodity metálica.
Mais cedo, o diretor do Fed, Michael Barr, disse que novas altas de juros provavelmente serão necessárias para levar a inflação de volta à meta de 2% do Fed. Segundo a plataforma FedWatch, do CME Group, o mercado aumentou sua expectativa em uma alta de 50 pontos-base pelo BC norte-americano até dezembro.
Em paralelo, o mercado monitora a nova alta do petróleo, depois que o Brent interrompeu uma sequência de cinco dias de quedas e subiu aos US$ 102 por barril. O movimento reflete o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, após declarações de autoridades iranianas praticamente eliminarem as chances de um acordo no curto prazo para a liberação do Estreito de Ormuz.
O presidente iraniano, Masou Pezeshkian, disse em seu discurso na Assembleia Geral da ONU que a navegação livre no Estreito de Ormuz só será retomada após a suspensão das sanções contra o regime iraniano. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também alertou autoridades europeias sobre seu apoio aos EUA e Israel.
“A direção do dólar e dos juros dos Treasuries continua sendo crucial para determinar se a demanda geopolítica se traduz em uma alta ou baixa sustentada do ouro”, afirma Naeem Aslam, da Zaye Capital Markets.