Bancos na berlinda, dividendos no radar e XP cautelosa: as 5 notícias mais lidas da semana
A semana foi marcada por revisões nas recomendações de ações, preocupações com o cenário econômico brasileiro e a busca dos investidores por oportunidades na Bolsa após a turbulência provocada pelas eleições presidenciais. Entre os destaques, o tombo de quase 40% das ações do Bradesco (BBDC4) e as perspectivas para os grandes bancos chamaram a atenção dos leitores do Money Times.
Além do setor bancário, os investidores ficaram de olho no calendário de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) de novembro, nas ações com potencial de retorno de até 12% em proventos e nas oportunidades identificadas pela XP, mesmo diante de um cenário mais desafiador para a Bolsa brasileira.
Confira as cinco notícias mais lidas do Money Times nesta semana.
1. Bradesco (BBDC4) derreteu quase 40% após as eleições, mas Morgan Stanley diz que a conta não fecha e mantém compra
As ações do Bradesco (BBDC4) acumularam queda de 37% desde o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Apesar do desempenho negativo, o Morgan Stanley avalia que a reação do mercado foi exagerada e pode ter aberto uma oportunidade de compra para os investidores.
O banco norte-americano manteve a recomendação de compra para os papéis, embora tenha reduzido o preço-alvo dos ADRs de US$ 5,50 para US$ 4,75, o que representava um potencial de valorização de 86,3% em relação ao fechamento anterior. Para os analistas, o Bradesco negocia a apenas 0,7 vez seu valor patrimonial, patamar próximo das mínimas da última década, apesar de apresentar retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 16,6%.
Outro ponto destacado pelo Morgan Stanley é o desconto de 62% do Bradesco em relação ao Itaú (ITUB4), considerando o múltiplo preço sobre valor patrimonial. Na avaliação da instituição, a diferença de preços não é justificada pela distância entre a rentabilidade dos dois bancos. A redução de custos e a maior participação de empréstimos com garantia na carteira também reforçam a visão positiva.
2. Dividendos de novembro: Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4) e Caixa Seguridade (CXSE3) são alguns dos destaques
O mês de novembro chegou com uma nova rodada de pagamentos de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) para os investidores da Bolsa brasileira. Entre as empresas que anunciaram distribuições estão Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4), Caixa Seguridade (CXSE3), Bradesco (BBDC4) e Taesa (TAEE11).
Um dos principais destaques é a Petrobras, que pagará R$ 0,6741 por ação em JCP no dia 23 de novembro. Já a Caixa Seguridade distribuirá R$ 0,35 por papel em dividendos no dia 17. A Taesa também está na lista, com pagamentos de dividendos e JCP previstos para 26 de novembro.
O calendário reúne as datas de pagamento, os valores por ação e as datas de corte, que determinam quais acionistas têm direito aos proventos. Vale lembrar que os dividendos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, enquanto os JCP estão sujeitos à retenção de 15% na fonte.
3. Safra faz alerta e rebaixa BB (BBSA3) para venda; Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) pegam carona e só uma ação se salva
O Safra acendeu um sinal de alerta para o setor bancário brasileiro diante da perspectiva de desaceleração da economia em 2027. Em relatório, os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre revisaram suas recomendações para os principais bancos, citando riscos de enfraquecimento do crédito, aumento da inadimplência e deterioração da qualidade dos ativos.
O Banco do Brasil (BBAS3) foi rebaixado de neutro para venda, com preço-alvo reduzido de R$ 26 para R$ 19. O Bradesco passou de compra para neutro, com preço-alvo cortado de R$ 22 para R$ 17, enquanto o Itaú também perdeu a recomendação de compra, passando para neutro, com preço-alvo de R$ 47, ante R$ 51 anteriormente.
Na avaliação do Safra, a combinação de juros elevados, menor espaço para gastos públicos e riscos de recessão pode pressionar os resultados dos bancos nos próximos anos. A única instituição que manteve a recomendação de compra foi o Nubank (NU), embora seu preço-alvo também tenha sido reduzido, de US$ 19 para US$ 15.
4. Retornos de até 12%: 5 ações para ter na carteira de dividendos de novembro, segundo a Ágora Investimentos
A Ágora Investimentos atualizou sua carteira recomendada de dividendos para novembro, com cinco ações que apresentam estimativas de retorno em proventos de até 12% em 2026. A principal mudança foi a saída da Allos (ALOS3) e a entrada da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo.
Segundo os analistas, a Telefônica combina geração consistente de caixa, menor sensibilidade às oscilações da economia e características defensivas, consideradas importantes em um ambiente de juros elevados. A companhia passou a integrar a seleção ao lado de Copasa (CSMG3), Itaú (ITUB4), Caixa Seguridade (CXSE3) e ISA Energia (ISAE4).
Entre as cinco empresas, a Copasa apresenta o maior dividend yield projetado para 2026, de 12%. Na sequência aparecem Telefônica Brasil (8,4%), Caixa Seguridade (8%), Itaú (7,9%) e ISA Energia (6,9%). Em outubro, até o dia 28, a carteira da Ágora acumulava queda de 7,6%, desempenho ligeiramente superior ao do Ibovespa, que recuou 8,2% no mesmo período.
5. XP pisa no freio com a Bolsa brasileira, mas vê oportunidades em 10 ações
A XP decidiu adotar uma postura mais cautelosa em relação à Bolsa brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a piora das perspectivas fiscais. A corretora reduziu sua recomendação para as ações brasileiras de compra para neutra, diante dos riscos de desaceleração econômica e juros elevados por mais tempo.
Apesar da revisão, a XP ainda projeta o Ibovespa (IBOV) aos 200 mil pontos no fim de 2027, o que representava um potencial de valorização de 19% sobre os níveis considerados no relatório. Os estrategistas, porém, avaliam que esse retorno é semelhante ao oferecido pela renda fixa brasileira, reduzindo a atratividade relativa das ações. A queda de 10% do Ibovespa em outubro também deixou os preços mais atrativos, mas não eliminou os riscos.
Nesse cenário, a corretora identificou oportunidades em dez empresas: Vitru (VTRU3), Rede D’Or (RDOR3), Motiva (MOTV3), Itaú (ITUB4), Sabesp (SBSP3), Cury (CURY3), Totvs (TOTS3), WEG (WEGE3), Embraer (EMBJ3) e Petrobras (PETR4). A preferência é por companhias de qualidade, boas pagadoras de dividendos e exportadoras, com menor exposição ao endividamento elevado.