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Paulo Guedes entra em conselho da Revolut: “Brasil é mercado estratégico”, diz CEO

11 jun 2026, 14:15 - atualizado em 11 jun 2026, 12:01
Paulo Guedes
(Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

A Revolut, uma das maiores fintechs globais, anunciou nesta quinta-feira (11) a criação de um conselho consultivo independente no Brasil, em um movimento que reforça a sua aposta de longo prazo no país e mira uma nova fase de crescimento em meio ao avanço das discussões regulatórias.

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O grupo será formado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes, por Ana Novaes e por Luiz Lobo. Segundo Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, a chegada dos três nomes faz parte de uma evolução natural da operação local, depois de a companhia avançar em produto, controles regulatórios, prevenção à fraude, compliance e gestão de riscos.

“Eu venho falando há muito tempo que a Revolut priorizou o Brasil como um mercado estratégico”, afirmou Mota, em entrevista ao Money Times. “O Brasil é benchmark para muita coisa de infraestrutura de pagamentos, Open Finance e bancos digitais.”

O executivo defende que a entrada de Guedes no conselho não deve ser lida como uma decisão política, mas como uma escolha técnica. Mota afirma que o ex-ministro passou por processo seletivo e foi escolhido pela experiência acumulada em diferentes fases do mercado financeiro brasileiro, da hiperinflação à digitalização dos serviços financeiros.

“O Paulo vem muito como uma decisão super técnica da experiência dele no mercado. Tem pouca gente no Brasil que viveu desde a época da hiperinflação até os mercados mais modernos, passando por casos de sucesso de novos bancos, investimentos, projetos de educação e ainda pelo governo”, disse.

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A leitura da Revolut é que o Brasil entrou em uma nova fronteira de competição financeira. O país já é referência em pagamentos instantâneos com o Pix, avançou em Open Finance e agora discute a regulação de ativos virtuais, incluindo stablecoins — moedas digitais normalmente pareadas a ativos como o dólar.

Esse ponto é sensível para empresas globais de serviços financeiros. A Nomad, rival de Revolut, por exemplo, já usa esses ativos em sua operação. O Banco Central, no entanto, publicou regras para prestadores de serviços de ativos virtuais e ampliou as discussões sobre a supervisão do setor. O debate também envolve exigências de capital, prevenção à lavagem de dinheiro, tratamento tributário e eventual incidência de IOF em transações internacionais realizadas por meio de stablecoins.

Mota afirma que a Revolut ainda não usa stablecoins para operações de câmbio no Brasil. Hoje, segundo ele, a empresa realiza essas operações pelos mercados tradicionais, aproveitando sua escala global para reduzir custos ao cliente. Mas a fintech quer estar preparada caso a tecnologia passe a ter um papel regulado maior em pagamentos e transferências internacionais.

“Hoje a gente não faz câmbio via stablecoin, faz câmbio via mercados tradicionais”, disse. “Mas queremos estar preparados se a stablecoin for regulamentada como meio de transação oficial. Já temos gente estudando o assunto.”

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Glauber Mota
Glauber Mota, CEO da Revolut (Imagem: Divulgação)

Segundo o CEO, Guedes, Novaes e Lobo devem ajudar a Revolut nesse tipo de discussão. A empresa participa de associações de classe e deve usar o conselho como apoio nas conversas sobre regulação, incluindo temas como criptoativos, Pix, Open Finance e novas infraestruturas de pagamento.

“Esses temas regulatórios são muito importantes para nós. Somos participantes regulados do mercado e a Revolut decidiu ter o mais alto nível de governança e regulação em todos os países em que opera”, afirmou.

Mota disse ainda que o Banco Central brasileiro é mais aberto ao diálogo do que reguladores de outros países, especialmente por meio de consultas públicas e interações com associações do setor.

“O Banco Central é bem mais aberto do que eu vejo acontecer com contrapartes lá fora”, afirmou. “A gente atua nas interações individuais, quando consultado ou quando acha que proativamente deveria contribuir, mas principalmente via associações de classe.”

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Pix e combate ao crime organizado

Em meio ao debate regulatório, Mota também comentou duas discussões recentes que ganharam espaço no sistema financeiro local: a repercussão internacional do Pix, após ataques recentes dos Estados Unidos, e a decisão do país de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O Pix voltou ao centro das atenções após ataques do escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa a tecnologia nacional de prejudicar “injustamente” as empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico.. Desde seu lançamento em 2020, o sistema do Banco Central se tornou um dos principais meios de pagamento do país, pressionando receitas tradicionais ligadas a transferências e adquirência.

Para Mota, porém, o saldo da inovação é positivo.

“O Pix de fato tirou receita de muita gente. Mas ela caiu por uma boa causa”, afirmou. “O mercado aumentou. Cabe a nós, participantes, nos reinventarmos e encontrarmos novas formas de gerar valor para o cliente.”

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Na avaliação do executivo, as transformações tecnológicas tornam inevitável a revisão dos modelos de negócio das instituições financeiras. “O status quo não existe. Todo dia você tem que se reinventar”, disse.

Já sobre a classificação de PCC e CV pelos Estados Unidos, medida que pode ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e aumentar o escrutínio sobre fluxos financeiros transnacionais, Mota afirmou que o tema reforça uma agenda que já faz parte do cotidiano das instituições financeiras globais.

Segundo ele, empresas internacionais do setor já operam sob padrões rígidos de prevenção à lavagem de dinheiro, combate ao financiamento do terrorismo e monitoramento de transações suspeitas.

“Não é porque surgiu uma demanda estrangeira que vamos passar a fazer isso. A gente já tem que fazer esse esforço”, afirmou. “As tecnologias evoluem para prevenção, mas também para quem tenta cometer fraudes. Por isso, precisamos melhorar continuamente nossos controles.”

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Próxima fronteira: empresas

Além do avanço regulatório, a Revolut prepara novas frentes de crescimento no Brasil. Depois de consolidar a oferta para pessoa física, com conta global, câmbio, cartão, Pix, investimentos e produtos de crédito, a fintech começa a estudar uma entrada mais forte no segmento de pessoa jurídica.

“O produto pessoa física está muito bem encaminhado. Agora vou começar a estudar a possibilidade de fazer o produto pessoa jurídica”, disse Mota.

Segundo ele, o segmento PJ já representa cerca de 25% do resultado global da Revolut e é uma das áreas que mais crescem na companhia. Apesar disso, ainda não existe uma data definida para o lançamento da operação voltada a empresas no Brasil.

O executivo também citou a inteligência artificial como uma das principais frentes de desenvolvimento da fintech, tanto no atendimento ao cliente quanto na análise de dados para prevenção a fraudes e identificação de comportamentos suspeitos.

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Para Mota, o reforço de governança funciona como o freio de um carro de Fórmula 1: não serve para impedir a velocidade, mas para permitir que a empresa cresça com mais segurança.

“A Revolut cresce muito, inova bastante. Agora a gente traz a experiência de pessoas que já viveram crise e crescimento em locais diferentes, para nos ajudar a crescer de forma mais sustentável”, afirmou.

A Revolut tem cerca de 250 funcionários no Brasil. Desse total, aproximadamente 150 trabalham em áreas de tecnologia e serviços compartilhados voltadas também a operações globais. Segundo Mota, o país deixou de ser apenas importador de tecnologia e passou a exportar soluções para outros mercados da companhia.v “O Brasil se torna um hub de talento para o resto do mundo”, disse.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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