‘Pedi expressamente ao presidente Trump que não taxasse empresas brasileiras’, diz Flávio Bolsonaro
O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) tentou se isentar de qualquer participação na decisão do governo dos Estados Unidos de propor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada nesta terça (2), menos de uma semana de o senador ter reuniões com a cúpula do governo daquele país, e depende de consulta pública para ser aplicada pelo presidente Donald Trump em alguns setores.
“Eu pedi expressamente, nas três reuniões que tivemos, com o presidente Trump, com (o vice-presidente) JD Vance e com o (secretário de Estado) Marco Rubio. Eu pedi expressamente (que) não taxem as empresas brasileiras, porque, eu disse o seguinte: ‘partir de 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês e vai negociar de igual para igual'”, afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia.
Flávio, que tem uma agenda ligada ao agronegócio em Minas Gerais, defendeu o setor que tem sido o maior prejudicado com as tarifas aplicadas por Trump, mas que deve ter culturas e produtos poupados pelo novo tarifaço. O que não é o caso do etanol, por exemplo, alvo de ataques do governo estadunidense, assim como o Pix.
“A gente tem que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol que é uma energia limpa que que está sendo usado pelo nosso agro para substituir o nosso diesel”, afirmou o senador, se referindo ao uso crescente do etanol em máquinas agrícolas.
Como sempre, Flávio aproveitou a entrevista para atacar e culpar o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto e seu principal adversário até agora na disputa eleitoral. “Qual o problema que a gente tem? Sentado hoje na cadeira de presidente da República a gente tem alguém que simplesmente conseguiu ganhar a desconfiança do governo americano (sic)”.
“Eles não confiam no Lula, porque o Lula sai de lá pedindo para não combater facções criminosas. Que presidente é esse? Sai de lá e vem aqui cantar de galo, falar mal do presidente Trump no Brasil, vomitar sentimento a todo momento. Se vangloriando de algo que não existe, menosprezando a maior democracia do mundo”, afirmou Flávio.
Ele lembrou o fato de os Estados Unidos serem historicamente o maior parceiro comercial do Brasil, antes de defender também o comércio com a China. “Ele (Lula) não pode escolher a China e abrir mão dos Estados Unidos. Um presidente da República sério tem que sentar com os estados Unidos e China, tem que negociar com todo mundo”, concluiu.