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Perdidos e retidos: entendendo as “transações não gastas” de bitcoin

20/11/2019 - 17:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
O que são UTXOs e por que não foram gastas? (Imagem: Pixabay)

Qual é o significado das milhões de “transações não gastas” da rede bitcoin e que impacto elas têm no setor de criptoativos de modo geral?

Um relatório da Delphi Digital esclarece o estado da economia de bitcoin. Ele quantifica o número de unidades de bitcoin que estão em circulação e também aquelas que estão dormentes, não utilizadas nas carteiras: as UTXOs.

Entendendo o que é UTXO

UTXO é uma abreviação para Quantias de Transações Não Gastas (do inglês “Unspent Transaction Outputs”).

Para entender o que são, é necessário falar sobre como as transações são feitas no blockchain de bitcoin já que esse tipo de transação não funciona da mesma forma que as transações de moedas fiduciárias.

Digamos que você queira pagar por um item numa loja. Com moedas fiduciárias, você recupera a quantidade necessária para o pagamento e deixa o restante em sua carteira.

No entanto, se você fosse pagar pelo mesmo item usando bitcoin, a transação seria diferente.

No blockchain de bitcoin, não é possível fazer pagamentos parciais. Isso significa que quando você faz uma transação, você recupera a quantidade total da sua carteira.

O pagamento é deduzido e enviado à carteira do destinatário enquanto seu balanço restante é enviado a um novo endereço. A diferença é que o novo endereço ainda está sob seu controle. É chamado de “endereço de troco” (change address).

Endereço de troco é o endereço para o qual o “troco” de um pagamento é enviado (Imagem: Pixabay)

Simplificando, UTXO significa a quantidade de bitcoin retida. Cada transação de bitcoin tem uma quantia gasta e uma quantia não gasta. Se não existe UTXO no fim de uma transação, significa que não há bitcoin naquele endereço específico.

No início do bitcoin, era necessário que os usuários fornecessem o dado do destinatário de suas transações. Isso inclui o endereço do destinatário e também o endereço de troco. Se o usuário cometeu um erro e enviou os bitcoins não gastos para um endereço que não está sob seu controle, eles perderiam acesso ao UTXO.

No entanto, a evolução da tecnologia levou ao aumento de carteiras deterministas que realizam transações de uma forma mais amigável para o usuário. Agora, os usuários não precisam fornecer um endereço de troco ao realizar uma transação, mas sim apenas o endereço do destinatário.

Carteiras deterministas simplificaram o processo de transações e diminuíram a porcentagem de perdas que poderiam acontecer devido a endereços de troco errados.

O número máximo de bitcoins a serem minados é de 21 milhões (Imagem: Pixabay)

Distribuição de UTXO de bitcoin

Bitcoin foi programado de uma maneira que permite apenas a circulação de 21 milhões de unidades quando todas as moedas tiverem sido minadas. Além disso, usando os dados públicos no blockchain do Bitcoin, sabemos que, atualmente, o número de bitcoins em circulação é de 18 milhões.

Enquanto esses fatos são irrefutáveis, há especulação ou perguntas sobre o número de bitcoins que estão de fato sendo utilizados em transações em vez de estarem dormentes em carteiras.

Em dezembro de 2018, a Delphi Digital afirmou em seu relatório: “Ao analisar a distribuição etária do UTXO de bitcoin […], podemos observar que aproximadamente ⅓ dos bitcoins em circulação não foi movimentado há pelo menos três anos”.

Em outras palavras, aproximadamente 5,8 milhões de bitcoins não foram movimentados de suas contas há pelo menos três anos. A preços atuais de mercado, esse número totaliza US$ 47,3 bilhões. Com a alta do bitcoin, esses 5,8 milhões poderiam valer bem mais.

É possível que mais de 5,7 milhões de bitcoins estejam “perdidos”, sem utilização (Imagem: Pixabay)

Analisando as descobertas

Considerando a quantidade significativa de valor retida nesses UTXOs, vem a questão de por que usuários reteriam esses bitcoins.

A primeira possível explicação seria de que as unidades são acessíveis por seus donos por conta de erros no fornecimento de dados relevantes de transação. Como explicado anteriormente, esse cenário era comum no início da utilização de bitcoin.

Delphi Digital afirma: “As chaves privadas que acessam esses bitcoins foram perdidas e vão continuar perdidas por tempo indefinido. Chainalysis finalizou uma análise extensa sobre bitcoins que provavelmente estão perdidos e a empresa chegou a uma estimativa de 2,78 a 3,79 milhões de bitcoins”.

Enquanto isso é uma realidade infeliz para os detentores de bitcoins perdidos, apresenta uma vantagem para a economia de bitcoin.

Bitcoin foi criado para ter um fornecimento escasso. Escassez é uma característica importante para algo que pode ser usado efetivamente como reserva de valor. A escassez digital do bitcoin tem sido um dos direcionadores de preço principais e levou à comparação com o ouro.

Assim, se houver confiança nessas descobertas, então existem menos unidades de bitcoin em circulação, o que deve ajudar o preço do bitcoin a longo termo.

No entanto, de acordo com a pesquisa feita pela Delphi Digital, esse número contabiliza apenas metade do total de UTXOs. Assim, deve ter outro motivo para existir o restante de unidades não gastas nos endereço.

Donos nesses “bitcoins perdidos” podem ter perdido o endereço que continha essas unidades (Imagem: Pixabay)

A segunda possível razão é que há uma parte significativa de usuários que estão usando seus bitcoins retidos como um investimento a longo prazo.

“Existem detentores a longo prazo com uma convicção forte o suficiente em bitcoin, e não estão interessados em liquidar mesmo com esses altos níveis históricos.

Esses detentores (hodlers) acreditam significativamente no futuro do bitcoin. Isso pode ser visto como um voto de confiança e um apoio da natureza robusta da tecnologia subjacente ao bitcoin, além de seu potencial para atingir maiores preços.

Enquanto uma grande quantidade de UTXO no blockchain do bitcoin pode parecer preocupante a valor nominal, ele aponta em direção a um futuro promissor para investidores em bitcoin.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 31/05/2020 - 11:12