Eleições 2026

Pesquisa eleitoral é confiável e CEO da Nexus tem como provar, mas você dificilmente será entrevistado

25 abr 2026, 7:00 - atualizado em 24 abr 2026, 10:41
Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, pesquisa tem metodologia e é auditada pelas urnas (Divulgação/Nexus)

O Brasil tem cerca de 272 milhões de telefones móveis e em torno de 20 milhões de aparelhos fixos. O país tem 155,4 milhões de eleitores. Receber uma ligação da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados entre a noite desta sexta-feira (24) e o final do dia de domingo (26) será um privilégio para apenas 2 mil eleitores brasileiros escolhidos aleatoriamente nesse universo milionário de números.

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Se considerados todos os 292 milhões de números de telefone existentes, a chance de alguém atender a uma ligação de um pesquisador da Nexus é em torno de 0,0007%. Se considerado o eleitorado total, a chance de ser apto a responder a pesquisa eleitoral quantitativa telefônica, como a do BTG Pactual/Nexus é de 0,0013%. E a chance de chegar ao final de uma entrevista é menor ainda.

A amostra, as regras, a série de critérios rígidos e os acertos comprovados de uma pesquisa para presidente da República nas eleições 2026, como a que será divulgada na segunda-feira (27) pelo BTG Pactual e pela Nexus, afastam qualquer tentativa de descredibilizar ou de desconfiança sobre levantamentos como esse.

É o que garantiu o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, em entrevista ao Money Times. O executivo tem um argumento inquestionável para isso. A urnas eletrônicas, em outubro, servem como a maior auditoria para certificar pesquisas eleitorais.

“Se você me perguntar quantas pessoas tomam refrigerante em um determinado município, vou fazer uma pesquisa e você vai ter de acreditar nesse número”, disse. “Mas pesquisa eleitoral é a única pesquisa auditada do mercado”, resumiu o executivo.

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Cada levantamento da BTG Pactual/Nexus – serão 18 rodadas, 16 até o primeiro turno e mais duas no eventual segundo em 2026 – começa com o registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com toda a documentação e metodologia anexas.

Cada um dos 100 pesquisadores liga para telefones aleatórios a partir do cadastro de todos os telefones fixos e móveis existentes na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A amostra é controlada por região, tipo de telefonia, sexo, idade e escolaridade a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios Contínua (PNADc) de 2024.

No caso da escolaridade, 36% dos entrevistados têm ensino fundamental completo, 41%, até médio completo e 23%, superior incompleto ou mais. Dos 2 mil entrevistados, 17% estão entre 16 e 24 anos, 20%, de 25 a 34 anos, 20%, de 35 a 44 anos, 24%, de 45 a 59 anos e outros 20% têm 60 anos ou mais. A região Centro-Oeste tem 8% dos entrevistados, a região Nordeste tem 27%, a Norte, 8%, a Sudeste, mais populosa, tem 43%, e a Sul, 15%. Por fim, 48% dos entrevistados são homens e 52%, mulheres.

Cada cota porcentual de cada amostra tem de ser completada. Se um eleitor atender o telefone e o perfil dele já tiver o número suficiente de entrevistados, a entrevista é encerrada antes mesmo das questões sobre a preferência eleitoral.

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“Não adianta fazer uma pesquisa e entrevistar 80% de homens e 20% de mulheres, ou vice-versa. Tem que ter uma amostra que seja balanceada, que represente o perfil do eleitorado”, explicou. “Eu tenho 27% dos moradores do Nordeste e não adianta eu fazer com 20% e nem com 30%, eu tenho que fazer com 27%”, completou o executivo.

Se os entrevistados preencherem todos os requisitos do perfil, o entrevistador parte para a segunda etapa, que é a pesquisa eleitoral de fato. Na pesquisa de segunda-feira, a primeira pergunta é estimulada e sobre o interesse do eleitor sobre as eleições de outubro.

Em seguida, o eleitor é indagado a informar, de forma espontânea e única, em quem votaria se as eleições fossem hoje. A partir daí, são feitas as perguntas estimuladas, nas quais são informados nomes dos candidatos, vários cenários de confronto em um primeiro e segundo turnos.

Como a entrevista é feita por telefone, a apresentação dos nomes dos pré-candidatos também tem uma ordem aleatória e muda a cada entrevista para que nenhum seja privilegiado.

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Segundo Tokarski, as entrevistas da Nexus são todas gravadas e 20% dos questionários aplicados por entrevistador são checados de diferentes formas. “Uma entrevista dura, em média, 12 minutos. De repente, você tem um entrevistador cujas entrevistas estão durando 8 minutos e o sistema avisa. Olha, tem alguma coisa aqui”, exemplificou o CEO da Nexus.

Outra checagem é feita por uma equipe que ouve as entrevistas enquanto acontecem para avaliar se o entrevistador está aplicando o questionário seguindo o método determinado. “Além disso, a gente liga de volta para 20% dos entrevistados, para saber se a pessoa foi bem tratada. O objetivo é saber se, de fato, aquela pessoa respondeu”, afirmou.

Por fim, os resultados são compilados, ponderados e divulgados. No caso da pesquisa BTG Pactual/Nexus, o banco contratante optou por fazer todo o processo, desde a primeira entrevista, até a divulgação, com o mercado financeiro fechado, ou seja, entre o início da noite de sexta-feira e a manhã de segunda-feira.

Polarização e desconfiança

Para o CEO da Nexus, com tanto critério, a desconfiança em relação às pesquisas eleitorais não se justifica. Segundo Tokarski, os questionamentos recentes aos institutos estão diretamente ligados à polarização política surgida na eleição de 2018 e ampliada em 2022.

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“Na eleição de 2022, teve um campo político (bolsonarista) que questionou bastante, que era o campo que estava perdendo de acordo com as pesquisas e que, de fato, perdeu a eleição. Eu acho que foi muito mais uma narrativa, porque esse mesmo campo ganhou a eleição em 2018”.

O CEO da Nexus usa o clássico bordão “pesquisa é um retrato, uma radiografia de momento” para explicar que cada levantamento tem suas peculiaridades e que ainda está muito cedo para saber quem será eleito ou reeleito presidente do Brasil, pois faltam mais de 5 meses para o primeiro turno das eleições 2026.

“Questionamento sempre teve, mas a maioria dos institutos renomados chega muito próximo do resultado da eleição. E, de novo, a pesquisa é uma ciência e tem método para ser feita”, diz.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.

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