Petrobras (PETR4) deve seguir com dividendos atrativos após 2T26 ‘sólido’, dizem analistas; veja o que fazer com as ações
Analistas do mercado financeiro avaliaram o 2T26 da Petrobras (PETR4) como forte, com Ebitda, geração de caixa e dividendos acima das expectativas, impulsionados pelo desempenho do E&P, maior produção no pré-sal e melhores margens.
A expectativa é de continuidade da geração de caixa e dividendos atrativos, mas o mercado segue monitorando riscos relacionados ao petróleo, política de preços, alocação de capital e cenário político.
Por vola das 11h30, as ações da Petrobras caíam 0,2%, a R$ 42,02, depois de subirem mais de 1% mais cedo. Na véspera, a companhia reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre e anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
A virada dos papéis hoje coincide com declarações do diretor financeiro da estatal, Fernando Melgarejo, em entrevista à CNN Money. O executivo afirmou que dificilmente haverá pagamento de dividendos extraordinários.
Forte desempenho em E&P
O Bradesco BBI avaliou que a Petrobras apresentou um resultado sólido no segundo trimestre de 2026, com Ebitda de US$ 18,9 bilhões, 6% acima do consenso de mercado, impulsionado principalmente pelo forte desempenho do segmento de Exploração e Produção (E&P).
O banco avalia que a companhia também entregou uma robusta geração de fluxo de caixa livre de US$ 4,4 bilhões, favorecida por menor consumo de capital de giro e despesas de capital (Capex) estáveis.
Após os resultados, o Bradesco BBI revisou suas estimativas para incorporar margens de refino mais elevadas no curto prazo e uma projeção de produção maior para os próximos três anos. O banco pondera, no entanto, que esses fatores são parcialmente compensados por uma curva de preços de petróleo mais baixa.
Já XP Investimentos disse que o lucro líquido apresentado pela Petrobras foi 30% superior a sua projeção. A corretora destacou que o principal fator por trás do resultado foi a captura dos preços mais altos do petróleo e das margens de refino, mesmo com os preços domésticos de combustíveis permanecendo abaixo da paridade internacional durante boa parte do trimestre.
Considerando ajustes de capital de giro e vendas de ativos, a XP estima que o fluxo de caixa recorrente teria ficado próximo de US$ 7,6 bilhões.
A corretora também ressaltou a melhora da estrutura financeira da companhia. A dívida líquida caiu cerca de US$ 3 bilhões no trimestre, para US$ 15,4 bilhões, enquanto a alavancagem recuou para 1,14 vez dívida líquida/Ebitda.
No lado operacional, a XP apontou aumento da produção de óleo para 2,69 milhões de barris por dia, impulsionado pelo avanço dos FPSOs Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78 no pré-sal. O lifting cost caiu para US$ 9 por barril, beneficiado pela menor necessidade de intervenções em poços e pela maior participação do pré-sal no mix de produção.
Apesar da avaliação positiva, a XP ponderou que havia espaço para um desempenho ainda melhor. Em suas estimativas, diesel e gasolina ficaram abaixo da paridade de importação durante grande parte do trimestre, o que pode ter reduzido o Ebitda em cerca de US$ 1,8 bilhão e o fluxo de caixa livre em aproximadamente US$ 1,2 bilhão.
O que fazer com as ações
O Santander, além de apontar que os resultados foram melhores do que o esperado, manteve a recomendação Outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da Petrobras e classificou a companhia como sua principal escolha no setor de petróleo e gás na América Latina. O preço-alvo foi mantido em US$ 24 por ação, equivalente a R$ 60.
O BTG Pactual também reiterou a recomendação de compra, a um preço-alvo de R$ 56, avaliando que Petrobras “continua a oferecer uma tese de investimento atraente, ancorada em um sólido crescimento de produção, fortes tendências de preços, especialmente em combustíveis, e retornos robustos”: de cerca de 12% de yield de fluxo de caixa ao acionista e 10% de dividend yield para 2027, com Brent a US$70/barril.
O banco Safra foi outro que seguiu com recomendação de compra para as ações preferenciais da Petrobras, com preço-alvo de R$ 57, o que representa potencial de valorização de 35% em relação ao preço de referência de R$ 42,13.
O Bradesco BBI passou a adotar preço-alvo de R$ 53,00 para o fim de 2027, ante R$ 50,00 para 2026, mas o manteve recomendação neutra. Na avaliação dos analistas, o dividend yield projetado de cerca de 10% ao ano continua atrativo, mas o potencial de valorização dos papéis segue limitado pelos riscos de queda do petróleo, pelas incertezas relacionadas à alocação de capital e pela volatilidade política.