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Petrobras (PETR4) promete reajuste na gasolina em breve

12 maio 2026, 13:24 - atualizado em 12 maio 2026, 13:24
CEO da Petrobras, Magda Chambriard (Reuters)

A Petrobras (PETR4) aproveitou a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026 para sinalizar que uma alta da gasolina está a caminho.

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Além disso, a companhia também indicou ao mercado que vê um cenário significativamente mais favorável para os próximos meses, impulsionado, além de pelo reajuste, pela alta do petróleo, melhora esperada na geração de caixa e avanço da produção

No primeiro trimestre de 2026, o resultado da estatal frustrou, ao trazer lucro menor do que o esperado. O número, de R$ 32,7 bilhões, ficou abaixo do consenso, que era de R$ 34,4 bilhões, segundo a LSEG.

A teleconferência foi amplamente dominada pelos impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre os preços internacionais do petróleo e dos derivados, especialmente diesel, gasolina e querosene de aviação.

Ao comentar a política de preços da companhia, a presidente da Magda Chambriard afirmou que a Petrobras continua evitando repassar imediatamente toda a volatilidade internacional ao consumidor brasileiro, mas indicou que reajustes na gasolina estão em discussão.

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Na sequência, Magda disse que a companhia monitora o comportamento do etanol antes de qualquer decisão definitiva, já que o biocombustível compete diretamente com a gasolina no mercado brasileiro, principalmente por conta da frota flex.

“Estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso market share e na evolução do mercado do etanol”, disse.

Apesar do tom indicar que reajustes são avaliados, a executiva não anunciou formalmente um aumento nem apresentou cronograma para eventual mudança de preços.

Já no diesel, a Petrobras detalhou o modelo de subsídios criado pelo Governo Federal para evitar repasses mais fortes ao consumidor final em meio à disparada internacional dos preços.

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Segundo Magda, a estatal já recebeu duas rodadas de subsídios desde março, que juntas somam aproximadamente R$ 1,50 por litro.

A presidente afirmou que a companhia acompanha os preços internacionais “pari passu”, expressão em latim usada para indicar que o movimento é acompanhado “lado a lado” ou “na mesma proporção”, embora sem transferir automaticamente toda a volatilidade ao consumidor brasileiro. “Nós estamos 100% dentro da nossa política de preços”, afirmou.

O CFO Fernando Melgarejo explicou que cerca de R$ 740 milhões relacionados aos subsídios já aparecem contabilizados como contas a receber da companhia e devem entrar no caixa ainda neste trimestre.

Segundo ele, parte do preço continua sendo paga diretamente pelo consumidor, enquanto outra parcela é compensada pelo governo federal, preservando margens da Petrobras sem pressionar integralmente os preços domésticos.

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Petrobras promete melhoras

A administração também insistiu diversas vezes na ideia de que a disparada recente do Brent ainda praticamente não apareceu no balanço divulgado pela estatal.

Melgarejo afirmou que existe uma defasagem natural entre a negociação das cargas exportadas e o reconhecimento contábil das receitas, o que fez com que grande parte do petróleo vendido no trimestre ainda estivesse vinculada a preços anteriores à escalada da commodity.

“O aumento do Brent não está refletido no resultado do primeiro trimestre”, afirmou o executivo.

Além disso, a Petrobras encerrou março com cerca de 80 mil barris por dia em exportações “em trânsito”, volumes que ainda não haviam sido monetizados no resultado do trimestre e que devem entrar no segundo trimestre já em um ambiente de preços mais elevados.

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A companhia indicou ao mercado que espera melhora relevante tanto nos resultados quanto na geração de caixa ao longo dos próximos meses.

Segundo Melgarejo, o excesso de caixa gerado pelo petróleo mais alto deverá ser direcionado prioritariamente para investimentos.

Investimentos e objetivos

“O objetivo principal vai ser investimento. Antecipar projetos, incluir mais coisas no orçamento de 2026-2030”, disse.

A Petrobras reforçou que o atual plano estratégico foi desenhado em um cenário de petróleo significativamente mais baixo e que o novo ambiente pode abrir espaço para antecipação de projetos antes classificados fora do chamado “capex base”.

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A companhia citou como exemplo os projetos de Sergipe Águas Profundas, recentemente incorporados ao orçamento após melhora da “financiabilidade” com o Brent mais elevado.

A administração também deixou claro que pretende ampliar sua presença internacional. Magda afirmou que a Petrobras já possui “esforços muito mais concretos” em andamento na margem atlântica africana, principalmente na Costa do Marfim, Namíbia, África do Sul e eventualmente Gana.

Além disso, a diretoria citou oportunidades na Colômbia, Peru e outras regiões da América do Sul.

Segundo Magda, tanto o Golfo do México mexicano quanto a Venezuela seguem no “wish list” da estatal, embora ainda em fase preliminar de avaliação.

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“Dez anos atrás a gente falava do Triângulo de Ouro: África, Brasil e Golfo do México”, afirmou. “Eu espero que a Petrobras realmente tenha um espaço interessante para atuar no Golfo do México mexicano.”

A Braskem também apareceu como um dos principais focos da teleconferência e trouxe talvez uma das mensagens mais fortes da administração.

Magda afirmou que “a época dos desinvestimentos já passou” e indicou uma mudança clara de postura da Petrobras em relação à petroquímica.

Segundo ela, a estatal deixou de atuar de forma passiva na Braskem e agora pretende participar ativamente da operação da companhia, buscando capturar sinergias entre refino, gás natural e petroquímica.

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“Se você olhar para trás nos últimos dez anos, viu uma Petrobras quase ausente da Braskem. Nós entendemos que não é por aí”, afirmou. “O que mudou foi a disposição da Petrobras de atuar na Braskem de uma forma firme.”

O diretor Fernando Melgarejo reforçou que a Petrobras não pretende estatizar a Braskem nem consolidar suas dívidas, mas confirmou que a estatal já participa diretamente das discussões operacionais junto à IG4, nova parceira na estrutura societária.

Segundo ele, o processo de closing da operação deve ocorrer entre 30 e 90 dias.

Já o diretor William França afirmou que a Petrobras já trabalha junto à Braskem em discussões ligadas a capital de giro para aproveitar o atual momento mais favorável dos spreads petroquímicos, impulsionados pelas paralisações no Oriente Médio em meio à guerra.

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“Estamos discutindo e ajudando a Braskem a realmente capturar e monetizar esses spreads muito bons”, afirmou.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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