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Grupo Toky (TOKY3): Valendo centavos, ações desabam 44% após pedido de recuperação judicial; o que aconteceu?

12 maio 2026, 15:48 - atualizado em 12 maio 2026, 15:48
Tok&Stok mobly grupo toky
(Foto: Flávya Pereira/Money Times)

As ações do Grupo Toky (TOKY3), dono da Mobly e Tok&Stok, desabam no pregão desta terça-feira (12), após pedido de recuperação judicial. A empresa informou o montante de R$ 1,11 bilhão em dívidas no processo que tramita na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do estado de São Paulo, sob segredo de justiça.

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De acordo com o anúncio enviado ao mercado, o ambiente macroeconômico desafiador, especialmente para o segmento de móveis e decoração, vem impactando as vendas da companhia.

Taxas de juros elevadas, maior endividamento das famílias e condições de crédito mais restritas estão resultando em menor confiança do consumidor e postergação de decisões de compra, argumenta o Grupo Toky.

“Além das condições macroeconômicas, as restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando um impacto significativo na liquidez de curto prazo”, afirma a empresa. Dessa maneira, apesar de esforços na negociação da reestruturação do endividamento justos aos credores e da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e está se agravando.

Por volta de 15h40 (horário de Brasília), as ações TOKY3 desabavam 41,38%, cotada a R$ 0,17. Na mínima do dia, o recuo chegou a 44%, com a ação valendo R$ 0,16. Acompanhe o tempo real.

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O que aconteceu com o Grupo Toky

Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital, explica que a fusão entre a Mobly e a Tok&Stok, que ocorreu em 2024, foi uma tentativa de ganho de escala para viabilizar o negócio, em um cenário onde ambas as companhias enfrentavam dificuldades financeira.

“A soma das empresas foi uma tentativa de reduzir custos fixos, ampliar as receitas com a troca de clientes e estratégia de união de modelos de negócios digitais predominante na Mobly com os negócios físicos predominantes da Tok&Stok”.

A pressão financeira, somada a um conflito societário relevante, mudanças relevantes da administração e movimentos de governança, configuram um ambiente desfavorável para o grupo, de acordo com o analista.

Esta não é a primeira crise que a companhia enfrenta, já tendo passado por pedido de falência, recuperação extrajudicial, renegociações de dívidas e brigas entre os sócios. A pandemia foi um estopim para a instabilidade econômica das empresas, que se viram diante de interrupções no fornecimento de móveis.

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A Tok&Stok encerrou 17 lojas durante a pandemia e, em 2023, precisou reestruturar R$ 339 milhões em dívidas bancárias.

No mesmo ano, uma consultoria de tecnologia, a Domus Aurea, pediu a falência da Tok&Stok na Justiça. Responsável por sua reestruturação tecnológica, a empresa exigia o pagamento de R$ 3,8 milhões. Hoje, a Domus é dona de 5,48% da companhia, com a conversão de dívida em uma fatia na empresa.

A empresa renegociou esses débitos e, como condição para a sua recuperação, precisou de um aporte de novos recursos da família fundadora, em R$ 100 milhões.

Mesmo com as renegociações, o cenário não melhorou para a Tok&Stok. Em agosto de 2024, ela pediu recuperação extrajudicial para reestruturação de seu passivo exclusivamente financeiro, que se concretizou via emissão de debêntures.

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Foi neste cenário que a Mobly, que havia passado por aumento de capital, entrou para comprar a varejista em dificuldades. As duas empresas se uniram, passaram a se chamar Grupo Toky.

Brigas internas

Em março do ano passado, veio à tona a intenção da família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, de realizar uma oferta pela Mobly, sendo desde o início classificada como “inviável” pela diretoria e conselho da companhia.

O movimento deu início a um embate com acusações entre os dois nomes do setor de móveis e decoração, menos de um ano após a união das companhias.

A Mobly chegou a informar ao mercado ter identificado, por meio de uma investigação interna, indícios de uma atuação coordenada e não divulgada na aquisição de suas ações — supostamente em condições diferentes das previstas no edital da oferta pública de ações.

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Após apontar possíveis irregularidades envolvendo a família Dubrule, o Grupo XXXLutz e a Home4 na compra das ações, a Mobly obteve do seu conselho de administração autorização para adotar medidas cabíveis nas esferas administrativa, cível e criminal. Neste momento, sinalizou que pediria o cancelamento da OPA.

Mais obstáculos

A companhia do setor de decoração tem ainda outros obstáculos no horizonte: cerca de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito foram bloqueados pela SRM Bank.

O bloqueio desses recebíveis representa um “risco concreto de causar, em curtíssimo prazo, o estrangulamento financeiro e a paralisação das atividades empresariais”.

“Caso não seja contido com urgência, deflagrará um verdadeiro efeito dominó: a interrupção do fornecimento por parte dos principais fornecedores e indústrias parceiras, a suspensão das entregas ao centro de distribuição, o consequente desabastecimento das lojas, a perda de credibilidade comercial e, por fim, a inviabilização completa das operações, atingindo diretamente centenas de trabalhadores e consumidores que dependem da regularidade da atividade do Grupo Toky”, afirmou.

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Saída de fundos da SPX

O Grupo Toky havia informado ao mercado na noite de segunda-feira (11) que quatro fundos geridos pela SPX Private Equity estão em “estágio avançado de negociações” para a venda da totalidade de suas participações em ações e bônus de subscrição da empresa.

De acordo com o documento, os fundos anunciaram que Fernando Porfirio Borges renunciaria ao cargo no conselho de administração em razão das negociações.

Em outro comunicado também enviado na noite de segunda-feira, o grupo disse que Felipe Fonseca Pereira também renunciou ao seu cargo no conselho de administração da companhia.

Para ocupar essas vagas, a empresa elegeu interinamente Fabio Ferrante, como conselheiro, e André França, como conselheiro independente.

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*Com Seu Dinheiro

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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