Petrobras (PETR4) desafia queda do petróleo e deve entregar dividendos robustos
A Petrobras (PETR4) recebeu a segunda parcela do programa de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel, no valor de R$ 170 milhões, após já ter recebido uma parcela anterior de R$ 752 milhões.
O tema aparece em um momento em que a possível resolução da guerra e a volta do petróleo para níveis abaixo de US$ 80 por barril levantam dúvidas sobre os impactos para a companhia. Embora exista correlação entre o preço do petróleo e os resultados da estatal, esse vínculo tende a ser menor do que o mercado costuma supor.
Isso ocorre porque cerca de 80% do petróleo produzido pela Petrobras é vendido para o segmento de refino, no qual os preços são ajustados com baixa frequência para evitar ruídos e volatilidade excessiva.
Na prática, assim como a Petrobras capturou apenas parcialmente a forte alta dos derivados após o início da guerra — tendo elevado a gasolina apenas uma vez e o diesel duas vezes —, os efeitos da queda dos combustíveis no mercado internacional também devem ser amortecidos pela mesma política de preços.
A parcela mais sensível é o petróleo produzido que não é destinado às refinarias e acaba sendo exportado aos preços correntes do Brent. Ainda assim, essa fatia representa uma parcela menor dos resultados da área de exploração e produção.
Mesmo em um cenário de petróleo ao redor de US$ 70 por barril, que parece razoável diante dos riscos e das disrupções ainda presentes, a Petrobras tende a seguir entregando forte geração de caixa e dividendos relevantes, mantendo um pano de fundo construtivo para as ações PETR4 como complemento às carteiras.