Petróleo avança de olho no impasse nas negociações EUA-Irã
O petróleo fechou em alta nesta quinta-feira (24), apesar das notícias mais perto do fim do dia de que Estados Unidos e Irã negociam um acordo em etapas para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte global de petróleo.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para dezembro fechou com alta de 3,41%, a US$ 106,60 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para novembro subiu 2,65%, para US$ 94,61 o barril.
O que influenciou o petróleo?
O petróleo operou em alta durante o pregão, perdendo fôlego ao longo da tarde, mas apresentou recuperação depois de a agência de notícias Reuters informar que autoridades norte-americanas avaliam com o Irã um acordo em etapas para reabrir o Estreito de Ormuz e encerra o bloqueio naval dos EUA.
Outro fator acompanhado pelos investidores envolve três navios-tanque carregados com quase seis milhões de barris de petróleo iraniano.
Segundo dados de rastreamento obtidos pela agência de notícias AFP, as embarcações, avaliadas em aproximadamente US$ 600 milhões e apreendidas pelo governo de Donald Trump, continuam sua rota pelo Atlântico rumo aos Estados Unidos. Duas delas estariam atualmente na costa brasileira.
Nesta quinta-feira, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado seis mísseis balísticos lançados pelos houthis contra a cidade portuária de Yanbu, no Mar Vermelho.
Além disso, uma reportagem do Wall Street Journal apontou que fornecedores de peças para drones utilizados pelos houthis, alvo de sanções norte-americanas, estão sediados na China, o que reforça preocupações sobre um eventual aprofundamento das alianças militares na região.
No encontro com Trump, o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que Washington e Teerã retornem “o mais rápido possível” às negociações para solucionar suas divergências.
Analistas da Capital Economics avaliam que o mercado também passou a precificar riscos relacionados ao abastecimento de combustíveis. Segundo a consultoria, cresce a possibilidade de o governo americano impor restrições às exportações de diesel antes das eleições legislativas de meio de mandato.
“Agora parece mais provável do que não que alguma forma de restrição às exportações de diesel dos EUA seja implementada antes das eleições, o que agravaria o atual choque de oferta”, afirmaram os analistas em relatório.
A combinação entre incertezas geopolíticas, riscos à navegação no Oriente Médio e preocupações com novas restrições comerciais segue sustentando a volatilidade nos mercados de energia.
*Com informações de Estadão Conteúdo