Petróleo cai mais de 4% após Trump cancelar ataque ao Irã para buscar acordo nuclear
Os preços do petróleo caem mais de US$ 4 por barril nesta segunda-feira (3), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desistiu de realizar um novo ataque ao Irã enquanto buscava um acordo rápido que interrompesse as ambições nucleares de Teerã e reabrisse o Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíam US$ 4,20, ou 4,78%, para US$ 83,73 às 4h57 (horário de Brasília), enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, era negociado a US$ 79,68 por barril, em queda de US$ 4,99, ou 5,89%.
Ambos os contratos haviam subido mais de 20% no mês passado, depois que os confrontos entre os Estados Unidos e o Irã foram retomados e ataques contra vários navios-tanque nas proximidades de Omã aumentaram as preocupações com a segurança, desestimulando as empresas de transporte marítimo a entrar no Golfo para carregar petróleo.
Em um sinal de redução das tensões, Trump afirmou, no fim do sábado, em sua rede social, que o Irã e outros países do Oriente Médio haviam solicitado mais tempo para concluir um acordo que levaria à “reabertura imediata, completa e total” do Estreito e ao “fim da ameaça nuclear do Irã”.
Um acordo pode acontecer?
“O principal foco é saber se esta semana será uma repetição da anterior — com as esperanças de um acordo desmoronando à medida que o Irã endurece sua posição e continua usando seu controle sobre o Estreito como instrumento de pressão, possivelmente por meio de um ataque a uma base dos EUA ou a um navio-tanque que esteja transitando pela hidrovia”, afirmou Tony Sycamore, analista de mercados da IG.
Dois navios-tanque carregados com petróleo saudita atravessaram o Estreito de Bab el-Mandeb, saindo do Mar Vermelho, durante o fim de semana, enquanto o tráfego no Estreito de Ormuz desacelerou após relatos de ataques contra embarcações, mostraram dados de transporte marítimo de hoje.
A agência United Kingdom Maritime Trade Operations informou que ocorreram mais três ataques contra navios-tanque desde sábado.
Ontem, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, grupo conhecido como Opep+, aprovou um aumento da cota de produção de petróleo de aproximadamente 188 mil barris por dia a partir de setembro, concluindo assim a reversão de uma etapa dos cortes voluntários de produção adotados pelo grupo de produtores.
As interrupções nas exportações provenientes do Golfo, da Rússia e do Cazaquistão, causadas pelas guerras envolvendo o Irã e a Ucrânia, fizeram com que os sucessivos aumentos mensais de produção promovidos pela Opep+ ao longo da maior parte deste ano não se traduzissem em uma oferta adicional de petróleo no mercado, tendo pouco impacto sobre os preços.