Petróleo segue em leve queda com investidores ainda avaliando acordo EUA-Irã e incertezas sobre o Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo caem ligeiramente nesta quarta-feira (17), à medida que os investidores avaliam o impacto do acordo entre Estados Unidos e Irã, enquanto a incerteza sobre a retomada total da navegação pelo Estreito de Ormuz limitava as quedas dos preços.
Ambos os contratos de referência recuavam cerca de 0,7% às 4h49 (horário de Brasília), com os futuros do petróleo Brent caindo 52 centavos, para US$ 78,44 por barril, e o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuando 60 centavos, para US$ 75,45 por barril.
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Nesta terça-feira (16), ambos haviam caído cerca de 5% pelo segundo pregão consecutivo, atingindo mínimas de três meses, impulsionados pelas esperanças de que um acordo entre EUA e Irã permitisse o fluxo de petróleo através do estreito.
“Os mercados estão, de forma ampla, retirando o prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo”, disse Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova.
“Dito isso, o caminho para a normalização está longe de ser simples. Embora os acordos políticos possam estar avançando, o tráfego físico de petroleiros através do estreito ainda não se recuperou totalmente.”
O acordo prevê que os Estados Unidos suspendam seu bloqueio aos portos iranianos, enquanto Teerã permitirá o tráfego de petroleiros pelo estreito, efetivamente bloqueado desde os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.
“Os mercados de petróleo recuaram diante das expectativas de que o Estreito de Ormuz seja reaberto após o acordo de paz, mas os operadores evitaram novas vendas enquanto aguardam detalhes”, disse Hiroyuki Kikukawa, estrategista-chefe da Nissan Securities Investment.
O WTI provavelmente permanecerá volátil em uma faixa de US$ 10 acima ou abaixo de US$ 80 por barril, acrescentou.
Antes do fechamento, cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo bruto e gás natural liquefeito passava pelo estreito.
Os detalhes do acordo provisório começaram a surgir ontem, com o presidente Donald Trump afirmando que ele impediria Teerã de obter uma arma nuclear e uma autoridade dos EUA dizendo que permitiria ao Irã vender petróleo após a assinatura.
O memorando de entendimento, ainda não divulgado publicamente, estende por mais 60 dias um frágil cessar-fogo acordado em abril, de forma a permitir espaço para negociações em direção a uma trégua permanente.
Ainda assim, autoridades da indústria afirmam que um retorno completo aos níveis de produção e refino anteriores à guerra provavelmente levará semanas, meses ou até anos.
Israel tem se distanciado tanto do cessar-fogo de abril quanto do mais recente pacto entre EUA e Irã, alimentando incertezas sobre sua manutenção.
Ataques com drones israelenses atingiram três veículos no sul do Líbano ontem, matando pelo menos quatro pessoas e ferindo outras, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano, provocando uma rara repreensão pública por parte de Trump.
Mercado
Dados mostraram que o processamento de petróleo bruto da China caiu 9,1% em maio em relação ao ano anterior, atingindo o menor nível em quase quatro anos, sinalizando também que as refinarias começaram a recorrer aos estoques em meio à guerra com o Irã.
O relatório do American Petroleum Institute (API) mostrou que os estoques de petróleo bruto dos EUA caíram 8,3 milhões de barris na semana encerrada em 12 de junho, disseram as fontes.
O número superou as expectativas de uma redução de 4,6 milhões de barris, enquanto os dados oficiais da Energy Information Administration (EIA) estavam previstos para divulgação nesta quarta-feira.