Crime

Sanção dos EUA contra investigados trouxe prejuízo e obrigou PF a antecipar Operação Exchange, afirma Andrei Rodrigues

03 jul 2026, 16:00 - atualizado em 03 jul 2026, 16:01
Diretor da PF, Andrei Rodrigues, critica sanção dos EUA contra investigados em operação (José Cruz/Agência Brasil)

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta (3) que a corporação precisou antecipar a Operação Exchange, após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra pessoas investigadas por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Segundo Rodrigues, a medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos na quarta-feira (1º), trouxe prejuízo porque os investigados acabaram sendo alertados e um dos alvos está foragido.

“Não houvesse a designação, o desfecho seria outro e teríamos localizado a pessoa”, disse Rodrigues. “Então houve, eu vejo, um prejuízo à investigação”, afirmou o diretor da PF.

Uma fonte a par da investigação detalhou que a representação da PF sobre o caso foi apresentada em março, e a decisão judicial autorizando a operação foi nesta quinta-feira, 2 de junho – portanto, anteriores à designação pelo governo dos EUA do PCC como organização terrorista internacional.

A PF então decidiu antecipar a ação para esta sexta após a publicação, no dia anterior, pelo governo norte-americano, sancionando os alvos da operação.

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A secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, uma das sancionadas pelo governo dos EUA, foi presa pela PF. Victor Henrique de Oliveira Shimada, outro sancionado e também alvo da operação é o foragido citado por Andrei Rodrigues.

A defesa de Shimada não respondeu imediatamente a um pedido de comentário após a operação. Em um comunicado na quinta-feira, a defesa negou qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro. A Reuters não conseguiu contatar imediatamente os representantes de Stella Oliveira.

Essa foi a primeira ação policial do governo brasileiro envolvendo pessoas sancionadas pelos EUA após o governo Trump ter designado, em junho, o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Em nota, sem citar os alvos da Operação Exchange, a PF informou que o objetivo da ação desta sexta é “desarticular organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas”.

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Agentes cumprem 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, nas cidades paulistas de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana do Parnaíba.

“Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões”, informou a PF.

“As investigações prosseguem, e os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos eventualmente identificados no curso da apuração.”

Para Rodrigues, a designação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas não mudará a forma de atuação da corporação. Ele defendeu que os EUA colaborem mais com o Brasil no avanço de bloqueio de bens, de ativos e da repatriação de indivíduos ligados a organizações criminosas.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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