Economia

Pix é visto como concorrência desigual por empresas americanas, diz Meirelles

09 jun 2026, 11:40 - atualizado em 09 jun 2026, 11:40
Pix Meirelles
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)

O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou nesta terça-feira (9) que o Pix pode ser interpretado por empresas americanas de meios de pagamento como uma forma de concorrência desigual, embora tenha ressaltado os benefícios gerados pelo sistema para a economia brasileira.

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A declaração foi feita durante painel do LIDE sobre as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos, em meio às discussões envolvendo a investigação comercial aberta pelo governo americano contra o Brasil.

O Pix aparece entre os temas analisados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que questiona possíveis distorções competitivas em áreas como pagamentos digitais, comércio eletrônico e serviços financeiros.

Ao comentar o assunto, Meirelles reconheceu que existe um argumento concorrencial por trás das críticas feitas por empresas americanas do setor.

“O Pix é um produto brasileiro gratuito, instantâneo, de alta confiabilidade”, afirmou.

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Segundo ele, o sistema ganhou escala rapidamente graças a uma combinação de avanços regulatórios e ao fato de ser operado diretamente pelo Banco Central.

“É uma intervenção oficial, direta do Estado. Beneficia a economia brasileira enormemente”, disse.

Na avaliação de Meirelles, é justamente esse modelo que leva parte das empresas americanas a enxergarem uma competição assimétrica. “É uma instituição oficial operando algo amparado por uma lei”, afirmou.

Diferenças regulatórias

O ex-presidente do Banco Central explicou que parte da vantagem competitiva do Pix decorre das mudanças regulatórias realizadas no Brasil nos últimos anos.

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Entre elas, citou a evolução do compartilhamento de informações financeiras e a criação de uma infraestrutura de pagamentos instantâneos administrada pela própria autoridade monetária.

Segundo ele, os Estados Unidos operam sob uma lógica diferente, com forte presença de empresas privadas no sistema de pagamentos e sem mecanismos equivalentes aos implementados no Brasil. “Nos Estados Unidos não tem algo similar”, afirmou.

Por isso, na avaliação do ex-ministro, embora exista uma percepção de concorrência desigual por parte das empresas americanas, a diferença também reflete escolhas regulatórias feitas pelos dois países ao longo do tempo.

Sistema ampliou inclusão financeira

Apesar de reconhecer as críticas, Meirelles defendeu os benefícios econômicos gerados pelo Pix desde seu lançamento.

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Segundo ele, a ferramenta ampliou o acesso da população ao sistema financeiro, reduziu custos de transação e acelerou a circulação de recursos na economia.

“Cerca de 70% da população adulta brasileira utiliza o Pix. É extremamente eficiente”, afirmou.

O ex-ministro também destacou que o sistema contribuiu para aumentar a velocidade dos pagamentos e reduzir a dependência de meios tradicionais, como boletos e transferências bancárias convencionais.

Relação Brasil-EUA vai além das tarifas

Meirelles argumentou que a discussão sobre o Pix deve ser analisada dentro de um contexto mais amplo das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.

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Segundo ele, as divergências atuais representam uma questão conjuntural e não alteram a relevância histórica do relacionamento entre os dois países.

O ex-presidente do Banco Central lembrou que os Estados Unidos figuram entre os maiores investidores estrangeiros no Brasil há décadas e possuem forte presença em diversos setores da economia nacional. “Essa é uma relação histórica, tradicional”, afirmou.

Para Meirelles, o debate sobre tarifas, barreiras comerciais e sistemas de pagamento deve ser conduzido levando em consideração os interesses de longo prazo das duas economias.

Ao encerrar sua participação, ele defendeu que o Brasil continue avançando na modernização do ambiente econômico e na ampliação da integração internacional. “Vamos olhar isso no longo prazo e trabalhar para superar essas questões”, defendeu.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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