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Plano Safra: bancada ruralista acusa ‘engenharia financeira’ e diz que volume recorde é ‘narrativa’

30 jun 2026, 16:13 - atualizado em 30 jun 2026, 16:13
banc
(Foto: FPA)

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou o Plano Safra 2026/2027 anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (30), afirmando que o programa é menos robusto do que o divulgado pelo Executivo e classificando a promessa de um volume recorde de recursos como uma “narrativa”.

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Em nota, a bancada ruralista argumenta que, sem considerar recursos de fundos que foram incorporados à composição do programa, o Plano Safra representa uma redução de R$ 29,6 bilhões, ou 5,73%, em relação ao ciclo anterior.

Segundo a FPA, o principal problema está na redução das linhas voltadas ao custeio e à comercialização, consideradas essenciais para o financiamento da produção. De acordo com a entidade, os recursos dessa modalidade caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma redução de 7,2%.

Por outro lado, a bancada afirma que o aumento de 38% nos recursos destinados aos investimentos, que passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, foi impulsionado pela inclusão de R$ 38,5 bilhões em fundos que, segundo a FPA, não fazem parte do escopo tradicional do crédito rural.

“A criatividade na composição dos recursos chama a atenção”, diz a nota. Para a entidade, a estratégia representa uma “engenharia financeira” que não resolve a necessidade de crédito efetivo para os produtores em um momento de elevado endividamento e restrição ao financiamento.

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A FPA também criticou a redução de recursos para programas específicos. Segundo a entidade, o Moderfrota teve corte de 54%, comprometendo a renovação da frota de máquinas e equipamentos, enquanto o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) registrou queda de 28%, apesar do déficit de armazenagem no país.

Outro ponto destacado foi a diminuição dos recursos equalizados, que passaram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, uma retração de 14,7%.

Na avaliação da bancada, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) também segue enfraquecido após sucessivos contingenciamentos orçamentários. A FPA afirma que, com os novos cortes, a cobertura estimada deve atingir apenas 2,69 milhões de hectares, o menor patamar em uma década, justamente em um cenário de maior risco climático e de confirmação do fenômeno El Niño.

Apesar das críticas, a entidade reconheceu o esforço do governo para reduzir as taxas de juros das linhas de financiamento, mas avaliou que a medida é insuficiente diante do cenário de endividamento dos produtores e da restrição de crédito.

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A nota também traz críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não participar do lançamento do Plano Safra voltado à agricultura empresarial. Para a FPA, a decisão reforça uma tentativa de dividir o agronegócio entre agricultura empresarial e agricultura familiar.

Por fim, a bancada afirmou que continuará atuando no Congresso Nacional para aprovar o Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas rurais, e o Projeto de Lei 2.951/2024, que reformula o Seguro Rural.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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