Por que o Discord se tornou tão popular entre criminosos e agora corre risco de ser banido no Brasil
A rede social Discord voltou aos holofotes, mais uma vez, por motivos negativos. Na última semana, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, disse que a plataforma digital deveria ser bloqueada no Brasil “de qualquer forma”.
Uma das falas mais recentes de Janja aconteceu durante um evento no Palácio do Planalto, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que aumenta a punição para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes.
A motivação por trás do comentário foi o caso de uma adolescente de 13 anos que se suicidou durante uma transmissão ao vivo no Discord. A garota teria sido incentivada por outros usuários, também menores de idade.
Anteriormente, a rede social já foi investigada no país durante a Operação Dark Room, que envolvia o aliciamento de crianças e resultou em prisões e condenações.
Mas por que o Discord se tornou tão popular entre criminosos?
Originalmente, a plataforma foi criada para ser um meio de comunicação entre gamers e comunidades on-line.
Em meio à popularização da rede entre menores de idade e a possibilidade de ambientes fechados, cibercriminosos encontraram o local ideal para cometer crimes.
Para se ter uma noção, entre janeiro e julho de 2026, a SaferNet, organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet, recebeu 406 denúncias envolvendo a plataforma. O volume é 54% maior do que o registrado no mesmo intervalo do ano passado.
O que diz a plataforma
O uso da plataforma para fins escusos colocou a plataforma digital na mira das autoridades.
À revista Veja, o Discord disse que o servidor em que aconteceu o caso citado por Janja foi desativado.
Segundo a rede, há monitoramento dos conteúdos que circulam na plataforma. Além disso, a empresa diz que colabora com investigações e busca acabar com comportamentos abusivos na plataforma.
Na última sexta-feira (7), representantes da plataforma se encontraram com integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) para elaborar um plano de ação para corrigir falhas e reforçar a proteção de crianças e adolescentes.
Interlocutores do advogado-geral da União, Jorge Messias, informaram à GloboNews que ainda não foi definida uma data para o eventual ajuizamento de uma ação contra o Discord.
Antes de tomar qualquer medida, a AGU pretende ouvir os argumentos da plataforma e analisar o plano de ação que será apresentado.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.