Eleições 2026

A nove dias do primeiro turno, Lula acaba com bets no Brasil e lança programa Desenrola 3.0

25 set 2026, 18:40 - atualizado em 25 set 2026, 19:10
bets lula governo federal
Lula acaba com bets no Brasil e lança novo Desenrola para endividados com apostas (Reuters/Amanda Perobelli)

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançou, nesta sexta-feira (25), os programas Brasil sem Bets e Desenrola 3.0. As medidas estão ligadas e serão tomadas por meio de uma mesma medida provisória assinada em evento nesta noite, em São Paulo (SP), um projeto de lei, e ocorrem a nove dias do primeiro turno das eleições 2026.

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Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, são três medidas tomadas nos programas: uma medida provisória que proíbe definitivamente as bets no Brasil a partir de hoje, além das publicidade das empresas e uma série de medidas para as empresas, como as devolução aos apostadores de recurso que porventura estejam em poder das casas de apostas.

“A partir da publicação da MP, nas contas das empresas não será admitido nenhum novo aporte dos apostadores e será adotada uma série de medidas para que o dinheiro volte a apostadores”, disse. “A partir de hoje não se pode mais colocar dinheiro nos sites de apostas”, completou Durigan.

Segundo ele, até o dia 5 de outubro o saldo disponível nas casas de apostas poderá ser retirado pelos apostadores, bem como a publicidade, portais e aplicativos seguirão operando. No dia 6 de outubro, as lojas de aplicativos e os conectores de rede deverão bloquear o saque e as bets devem redirecionar o dinheiro para os bancos.

As bets informarão aos bancos para ser devolvido aos clientes o saldo remanescente e não retirado voluntariamente, com CPF e a conta bancária. A partir de 9 de outubro, as instituições financeiras farão o repasse aos apostadores os valores disponíveis.

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Garantias deixadas pelas bets poderão ser utilizadas pelo governo para que os recursos sejam devolvidos, segundo Durigan.

Projeto de lei e Desenrola 3.0

Além disso, o presidente envia ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência com tipos penais que vão ajudar na repressão ao jogo no País. Outra medida é o Desenrola 3.0, programa de recompra e refinanciamento das dívidas, por parte do governo federal, que os apostadores com bets eventualmente tenham em instituições financeiras.

O Desenrola 3.0 será para pessoas com dívidas em atraso entre 2 anos e meio e 4 anos e meio. O governo federal fará a aquisição por meio de leilões de carteiras de dívidas das instituições financeiras com descontos de até 90%, com foco nos apostadores inadimplentes.

Segundo o governo, são R$ 300 bilhões nesses tipos de dívidas, com estimativa de renegociar R$ 150 bilhões, a um custo estimado de R$ 15 bilhões para o Estado se considerado o deságio de 90%. O primeiro leilão está previsto para novembro.

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Dados do governo federal apontam as apostas online, conhecidas como bets, retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras no ano passado na conta entre o que foi apostado e o que eventualmente voltou ao bolso em ganhos com prêmios. O valor consta no Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros.

O levantamento, divulgado no mês passado, é do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) e do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), a partir de dados do Banco Central (BC).

Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que mais de 80% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja.

O governo já proibiu que beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) de apostarem em bets, mas as ações foram insuficientes. O governo criou ainda uma ferramenta de autoexclusão dos apostadores que barra novas apostas e mais de 1,5 milhão deles utilizou o mecanismo, 60% por questões de saúde, informou Durigan

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Com isso, Lula aposta em ações com alto apelo junto ao eleitorado, pois pesquisas e de opinião apontam as bets e o endividamento como os principais problemas dos brasileiros

Guerra com empresas

Por outro lado, amparadas pelas lei nº 14.790/2023, que regulamentou as empresas e os jogos online no Brasil, as empresas de apostas devem iniciar uma batalha jurídica contra o governo federal. Esta semana, Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) , que representa as empresas do setor divulgaram um comunicado no qual sustentam que “proibir não vai proteger a sociedade” brasileira.

Segundo a associação das empresas dos setor, a demanda legalizada ao ser proibida migrará para sites ilegais e retomará o setor informal e sem regulação que vigorou entre 2019 e 2023. “O mercado ilegal vai continuar sem qualquer controle, sem controle de CPF, sem bloqueio de beneficiários de programas sociais, sem proteção de jogadores problemáticos, sem autoexclusão e sem responder ao Estado brasileiro”, informaram.

“As empresas se instalaram no País, pagaram outorgas, investiram em tecnologia e compliance, contrataram profissionais e passaram a recolher tributos sob fiscalização do Estado. Não apostaram no improviso. Apostaram nas regras do Brasil”, completaram as empresas.

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O setor publicitário deve perder um total estimado de R$ 2,6 bilhões em anuncios e os clubes de futebol mais R$ 1,5 bilhão em patrocínios anuais do setor.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.

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