Lula compara bets ao crack e ao câncer: ‘Ou a gente tira o tumor, ou o tumor vai matar a gente’
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comparou, na noite desta sexta-feira (25), no lançamento dos programas Brasil sem Bets e Desenrola 3.0, as apostas online ao vício em crack e a um câncer.
As medidas foram anunciadas em evento nesta noite, em São Paulo (SP), a nove dias do primeiro turno das eleições 2026.
Em um breve discurso, Lula classificou o cenário brasileiro como uma “jogatina sem controle” que ampliou o endividamento da sociedade. “Nem sempre salário é bom, às vezes as dívidas são desordenadas, sobretudo pela facilidade do cartão de crédito”, disse Lula, citando o caso de um apostador com quem falou que tinha quatro cartões de crédito do mesmo banco cadastrados em plataformas de jogos online.
Lula contou que ouviu depoimentos de oito pessoas devedoras em bets. “São coisas estarrecedoras, me lembrou um pouco o começo do crack no país, quando mães relataram filhos roubando botijão e comida para comprar crack. Perderam o limite de responsabilidade e, com as bets, está acontecendo a mesma coisa num grau maior, porque é digital”, disse.
O presidente seguiu com o exemplo, no caso das bets, de um pequeno empresário que acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões e em, dois meses, precisou vender seu negócio e se tratar do vício. “E ninguém alertou ele. Uma moça de 27 anos está devendo R$ 630 mil, com comércio em Minas. Conversei com uma mulher que tentou se matar e outra que tem filho que se enforcou por dívidas”.
Segundo o presidente, a “sociedade ficou desprotegida” com as bets. “Esse país trouxe o cassino para dentro de casa. É preciso ter controle, pois é uma coisa muito séria, que afeta milhões e milhões de pessoas, como um câncer. Ou a gente tira o tumor, ou o tumor vai matar a gente”.
Lula, que é torcedor fanático do Corinthians, disse que seu time, assim como outros, como São Paulo, Internacional (RS), Flamengo e Santos, foram campeões mundiais de clubes sem o suporte das bets. “Mas não dá para dizer que sem as bets os times acabam”, afirmou o presidente, antes de alfinetar o Palmeiras, maior rival do Corinthians. “O Palmeiras não ganhou”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que, em um segundo momento, o governo deve receber os clubes para estudar um suporte financeiro, mas citou que a receita com as bets não chega a 10% da verba total dos times.