Porto (PSSA3) detalha potencial operação com a Oncoclínicas (ONCO3) e afirma que investimento não é relevante
A Porto Seguro (PSSA3) detalhou ao mercado que a Oncoclínicas (ONCO3) poderá transferir endividamentos e passivos no valor total de R$ 2,5 bilhões para a nova empresa prevista na potencial operação entre as companhias.
A Porto e a Oncoclínicas firmaram na última semana termo de compromisso não vinculante que prevê um potencial investimento pela Porto em uma nova sociedade a ser constituída pela Oncoclínicas. Essa nova empresa passaria a ser titular dos ativos e operações relacionadas às clínicas oncológicas.
Juntamente com tais ativos, a Porto esclareceu que esse veículo poderia concentrar endividamentos e passivos da Oncoclínicas no valor total de, no máximo, R$ 2,5 bilhões, incluindo parcelamentos de fusões e aquisições, tributários, com fornecedores e outros instrumentos de endividamento financeiro.
Em contrapartida a uma participação societária de controle na nova companhia, a Porto aportaria, por meio de investimento primário, um total de R$ 500 milhões.
Somado a isso, haveria ainda uma emissão pelo veículo de debêntures conversíveis, em um montante total de R$ 500 milhões a serem subscritas pela companhia, observado que a Oncoclínicas teria o direito de subscrever uma parcela de até 30% do volume total.
As debêntures teriam vencimento em 48 meses e remuneração de 110% do CDI, sendo que a conversão poderia ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão, ou se verificado um evento de liquidez no nível do veículo da potencial operação.
“Caso a potencial operação venha a ser concluída, tal investimento não representará um investimento relevante para a companhia, por tal aquisição de ações representar um montante equivalente a aproximadamente 3,1% do patrimônio líquido”, diz a Porto.
Vale ressaltar, no entanto, que nada está fechado até o momento, tendo em vista que o documento assinado é preliminar e não vinculante.
Qual o impacto para a Porto?
Na avaliação do UBS BB, considerando a aquisição de uma participação de 33% por R$ 500 milhões, a nova empresa teria um valuation de aproximadamente R$ 1,5 bilhão após o investimento, desconsiderando as debêntures conversíveis.
“A Porto atualmente detém uma participação de 40% em uma joint venture (JV) com a Oncoclínicas e, em 2024, registrou impactos de aproximadamente R$ 39 milhões relacionados a pagamentos antecipados atrelados a metas de volume. Com a JV, a margem incremental gerada por beneficiários da Porto Saúde que realizam tratamento na ONCO se traduz em redução de custos de sinistros para a Porto”, dizem os analistas.
Embora alavancada, o banco avalia que a operação da Oncoclínicas não é intensiva em capital. O negócio enfrenta pressão de custos elevados associados aos tratamentos, mas ainda se mantém como um prestador de baixo custo para a Porto.
“Com base nas informações disponíveis, vemos a transação principalmente como um movimento estratégico positivo para garantir a estabilidade da rede, e não como uma integração vertical, embora haja potencial para otimização de custos no futuro”, diz o UBS BB.