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Previ defende troca no comando do conselho da Vale (VALE3): entenda a disputa

23 jun 2026, 12:41 - atualizado em 23 jun 2026, 12:56
vale
(Imagem: Reuters)

A Previ saiu em defesa da proposta para substituir Daniel Stieler no Conselho de Administração da Vale (VALE3) e afirmou nesta terça-feira (23) que a iniciativa está alinhada ao seu papel de investidora institucional e ao fortalecimento da governança da mineradora.

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Em comunicado, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil defendeu que a eventual substituição de Daniel Stieler faz parte de um "processo natural de renovação" e ocorre em um contexto de maior demanda do mercado por independência e robustez institucional.

Segundo a entidade, a indicação de José Maurício Pereira Coelho ao conselho e o apoio ao nome de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do colegiado estão alinhados ao modelo de corporation adotado pela companhia e à busca por uma governança "sólida, independente e livre de interferências".

A manifestação ocorre poucos dias após o Conselho de Administração da Vale aprovar a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a destituição de Stieler, atual presidente do colegiado, atendendo a um pedido da própria Previ. A assembleia deverá ser realizada em cerca de um mês, no dia 22 de julho.

A proposta prevê a substituição de Stieler pelo ex-presidente da Previ José Maurício Pereira Coelho, que ocuparia uma cadeira no conselho até o fim do atual mandato, em abril de 2027. O fundo também declarou apoio ao nome de Ollie para assumir a presidência do colegiado.

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Atualmente, Daniel Stieler acumula as funções de conselheiro e presidente do Conselho de Administração da Vale. Ex-presidente da Previ durante o governo Jair Bolsonaro, ele integra o colegiado da mineradora e tem mandato até abril de 2027.

Para substituí-lo, o fundo indicou José Maurício Pereira Coelho, que presidiu a Previ entre 2018 e 2021 e também comandou o Conselho de Administração da Vale entre 2019 e 2021. Em seu comunicado, a entidade destacou que Coelho participou da implementação de iniciativas voltadas ao fortalecimento da independência do colegiado, incluindo a criação da figura do Lead Independent Director (LID), responsável por representar os conselheiros independentes.

Já para a presidência do conselho, a aposta da Previ é Ollie. Atual ocupante do cargo de LID da Vale, ele é apontado pelo fundo como um nome técnico, independente e com experiência internacional para liderar o próximo ciclo de renovação da governança da companhia.

A disputa, porém, ganhou um terceiro personagem nos últimos dias. Atual vice-presidente do Conselho de Administração da Vale, Marcelo Gasparino também se colocou como candidato à presidência do colegiado caso os acionistas aprovem a saída de Stieler. Com isso, a assembleia poderá definir não apenas a permanência do atual chairman, mas também quem comandará o conselho até a próxima renovação prevista para 2027.

Entenda a disputa na Vale

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Apesar de ter aprovado a convocação da AGE, o conselho da Vale não endossou os argumentos apresentados pela Previ para justificar a saída antecipada de Stieler. Durante a reunião que analisou o pedido, houve divergências entre conselheiros sobre os fundamentos apresentados pelo fundo. Ao final, prevaleceu o entendimento de que caberá aos acionistas decidir se as justificativas são suficientes para interromper o mandato do atual presidente antes do prazo previsto.

A disputa marca mais um capítulo das discussões sobre governança na Vale, que ganharam força nos últimos anos com a transformação da companhia em uma corporation, sem controlador definido. Historicamente, a Previ exerceu forte influência na mineradora, sendo um dos principais acionistas desde a privatização e ocupando, por diversas vezes, a presidência do conselho.

Esse protagonismo começou a diminuir a partir da reorganização societária da companhia, mas voltou ao centro das atenções neste ano. Em fevereiro, o presidente da Previ, Márcio Chiumento, assumiu uma cadeira no Conselho de Administração da Vale após a saída de João Fukunaga, reforçando a presença do fundo no principal fórum de decisão da mineradora.

A Previ detém cerca de 10% do capital da Vale e segue como o principal acionista individual da companhia.

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Em seu comunicado desta segunda-feira, o fundo afirmou que pretende respeitar a decisão dos acionistas e reiterou que não tem a intenção de indicar futuros presidentes do conselho, declarando que apoiará candidatos independentes na renovação do colegiado prevista para 2027.

A palavra final sobre a permanência de Stieler e sobre os rumos da liderança do Conselho de Administração ficará com os acionistas da mineradora na assembleia convocada para discutir o tema.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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