Primeiro-ministro Keir Starmer renúncia; trabalhista de Manchester é o favorito para assumir em setembro
O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira (22) que renunciará ao cargo, com um novo líder assumindo até o retorno do Parlamento em setembro, abrindo caminho para que o Reino Unido tenha seu sétimo líder em 10 anos.
Menos de dois anos após conquistar uma vitória eleitoral esmagadora que prometia pôr fim ao caos da política britânica, Starmer disse que estava claro que seu partido queria sua saída.
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Ele afirmou que as candidaturas para sua sucessão serão abertas em 9 de julho. No entanto, seu rival Andy Burnham é o favorito claro para assumir a liderança.
“A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais adequada para liderá-lo na próxima eleição geral. Ouvi a resposta da minha bancada parlamentar a essa pergunta e a aceito com serenidade”, declarou.
A pressão vinha crescendo há meses
A ameaça à permanência de Starmer, que vinha se acumulando há meses, aumentou drasticamente na sexta-feira (19), quando Burnham, prefeito da Grande Manchester, venceu de forma decisiva uma eleição parlamentar para retornar a Westminster, derrotando um candidato do partido Reform UK, de Nigel Farage, legenda que lidera as pesquisas nacionais de opinião há mais de um ano.
A vitória renovou a esperança entre parlamentares trabalhistas de que Burnham, um político de carreira conhecido por suas habilidades de comunicação, possa transformar a situação de um partido que perdeu apoio sob a liderança de Starmer, cujos índices de popularidade caíram para os níveis mais baixos já registrados para um líder britânico.
Starmer agradeceu aos colegas pelo apoio recebido, com a voz embargada pela emoção, e também prestou homenagem à esposa e aos filhos.
A libra esterlina e os títulos do governo britânico permaneceram estáveis imediatamente após o anúncio de Starmer, algo amplamente esperado pelos investidores.
Apesar da tentativa de uma transição tranquila, a mudança não está isenta de riscos.
Além de afirmar que o país precisa de mudanças profundas e de reduzir o custo de vida, Burnham ainda não deixou clara sua abordagem em relação à política externa, à economia e à defesa.
Assim como Starmer, ele poderá descobrir que possui pouca margem de manobra, limitado pelos investidores do mercado de títulos, que se opõem a um aumento do endividamento, e enfrentando um eleitorado descontente que acredita que o país não está funcionando adequadamente.
O Reino Unido já possui os maiores custos de endividamento entre as nações do G7 devido ao elevado nível de dívida pública e aos pagamentos de juros, anos de crescimento econômico fraco, dificuldades para reduzir gastos e a necessidade de investir em áreas como defesa.
Investidores ouvidos pela Reuters estavam divididos sobre se Burnham, que afirmou em setembro passado que o Reino Unido precisava “superar essa dependência dos mercados de títulos”, respeitaria a necessidade de tranquilizar os mercados financeiros.
Posteriormente, ele declarou que suas palavras haviam sido interpretadas de forma equivocada.
“Na nossa visão, um governo Burnham herdaria uma situação fiscal delicada, com poucas ferramentas para promover mudanças significativas”, disseram economistas do Citibank na sexta-feira.
Starmer havia prometido disputar qualquer desafio
Na sexta-feira, Starmer havia afirmado que participaria de qualquer disputa formal pela liderança do Partido Trabalhista que buscasse substituí-lo. Porém, essa posição aparentemente mudou ao longo do fim de semana.
Quem quer que substitua Starmer se tornará o sétimo primeiro-ministro britânico desde o referendo do Brexit, que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia e completa dez anos nesta semana.
Esse nível de rotatividade, o mais elevado no Reino Unido em quase dois séculos, evidencia a dificuldade de manter o apoio de eleitores frustrados com sucessivos fracassos em melhorar os padrões de vida, os serviços públicos e combater a imigração ilegal.
O grupo de consultoria política Eurasia havia afirmado que o melhor cenário seria Starmer anunciar sua saída para setembro, permitindo que ele participasse de uma cúpula de reaproximação entre Reino Unido e União Europeia em julho e dando a Burnham tempo para se preparar para governar.