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‘Quem vai montar uma empresa?’: diretor da Bioagência critica preços da Petrobras (PETR4) e aponta entraves ao etanol

28 set 2026, 15:23 - atualizado em 28 set 2026, 16:02
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(Foto: Pasquale Augusto/Money Times)

“Quem que vai montar uma empresa sendo que o seu competidor não segue a regra do mercado internacional?” A provocação é de Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, ao criticar nesta segunda-feira (28) os preços da gasolina da Petrobras (PETR4;PETR3) e seus efeitos sobre a competitividade do etanol.

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Durante o painel “Regras do jogo: políticas públicas e estratégias para o próximo ciclo do setor”, da 9ª Conferência Nova Cana, o executivo apontou dois entraves à expansão do biocombustível: a disputa entre uma produção de gasolina predominantemente estatal e uma indústria privada de etanol, somada à prática de preços abaixo das referências internacionais.

Segundo Rodrigues, a diferença entre a gasolina da Petrobras e a referência internacional supera R$ 1 por litro.

Na avaliação do executivo, esse cenário inibe investimentos e dificulta o planejamento dos produtores de etanol, que precisam competir com um combustível sujeito à influência do governo sobre seus preços.

Fundada em 2001 e sediada em São Paulo, a Bioagência atua na comercialização de commodities agrícolas, com foco no setor sucroalcooleiro.

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A empresa trabalha com usinas e unidades produtoras associadas em diferentes regiões do Brasil, oferecendo apoio comercial e estratégico para ampliar a competitividade e a valorização dos produtos de seus parceiros.

Dois modelos econômicos na mesma disputa

O primeiro entrave apontado por Rodrigues está na estrutura do mercado. Segundo ele, 85% da gasolina do país é produzida em refinarias que têm o governo federal como principal acionista.

“Nós temos o modelo estatal que produz gasolina que concorre na ponta com o modelo privado que produz etanol”, disse.

Para o executivo, essa configuração coloca dois modelos econômicos distintos na disputa pelo consumidor. O problema se agrava, em sua avaliação, quando a formação do preço da gasolina se distancia do mercado internacional — o segundo eixo de suas críticas.

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Rodrigues afirmou que a ingerência sobre os preços da Petrobras atravessa diferentes governos e orientações políticas.

“Qualquer espectro político tem uma forte ingerência sobre os preços da Petrobras”, declarou. “Então é muito difícil da gente realmente competir.”

Petróleo acima de US$ 100 e etanol abaixo do custo

Ao descrever as dificuldades enfrentadas pelo setor, Rodrigues contrastou a valorização do petróleo com a baixa remuneração do etanol. Segundo ele, os produtores conviveram com petróleo acima de US$ 100 e vendas do biocombustível abaixo do custo.

“Quer dizer, uma distorção gigantesca”, afirmou.

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O executivo destacou que o encarecimento do petróleo também pressiona os custos da produção, por meio de insumos como fertilizantes e diesel.

Na sua avaliação, enfrentar preços ruins faz parte da atividade de quem trabalha com commodities. A dificuldade adicional surge quando o concorrente pratica preços que não acompanham as referências internacionais, limitando a capacidade de competição do etanol.

Mercado para crescer existe, diz Bioagência

Apesar das críticas, Rodrigues vê espaço para ampliar o consumo de etanol mesmo em um cenário de estagnação do mercado de combustíveis do ciclo Otto.

Segundo os números apresentados pelo executivo, esse mercado movimenta aproximadamente 62 milhões de metros cúbicos em gasolina equivalente, dos quais 31 milhões correspondem à gasolina A. Parte desse combustível, ressaltou, ainda precisa ser importada.

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Em sua estimativa, a substituição dessa parcela de gasolina representaria um potencial de aproximadamente 45 milhões de metros cúbicos de etanol hidratado.

“Esse é o nosso potencial”, disse. O aproveitamento desse espaço, porém, esbarra na competitividade com a gasolina, segundo Rodrigues.

Incerteza sobre medidas de apoio prejudica planejamento

O diretor da Bioagência também criticou a falta de previsibilidade sobre a continuidade de medidas como redução tributária e subvenção ao etanol. Para ele, as dúvidas sobre a manutenção ou alteração desses instrumentos prejudicam o horizonte de planejamento do setor.

Rodrigues avaliou que a estrutura legal para o avanço do biocombustível já está em grande parte desenhada, citando a emenda constitucional e o Combustível do Futuro. Também apontou a uniformização da tributação entre os estados como um caminho para ampliar a competitividade.

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Na logística, defendeu custos menores para levar o etanol a mercados mais distantes das unidades produtoras, usando o Rio Grande do Sul como exemplo.

Ainda assim, o diretor da Bioagência reiterou que a principal dificuldade está na concorrência com a gasolina.

“O principal ponto é a questão do nosso competidor ter esse controle estatal pesado. […] A gasolina vendida a um preço artificial impede o etanol de alcançar uma remuneração adequada. Se o preço da gasolina estivesse R$ 7 ou R$ 8 por litro, será que o consumo de etanol não seria maior?”

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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