Radar das Eleições: Flávio Bolsonaro tem 80% de probabilidade de vitória; a nova aposta da Eurasia Group para o segundo turno
A eleição presidencial de 2026 entrou em uma nova fase após o primeiro turno, e a avaliação da Eurasia Group é de que o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou. A consultoria elevou a probabilidade de vitória do senador de 70% para 80%, citando a vantagem mantida nas pesquisas e as dificuldades da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em recuperar terreno na reta final.
“Foi uma eleição muito mais de apatia do que nos outros anos. O eleitor petista já estava um pouco desmobilizado com o Lula indo para a sétima eleição. O eleitor de direita não tinha o mesmo entusiasmo pelo Flávio que teve pelo pai dele [o ex-presidente Jair Bolsonaro]. E o eleitor do meio estava sem alternativa, olhando para o quadro com muita frustração”, afirma Silvio Cascione, diretor para o Brasil da Eurasia, no Radar das Eleições, do Money Times.
Nesse cenário, a campanha de Flávio conseguiu se conectar melhor com o eleitorado com uma retórica de “desejo por mudança”, avalia Cascione. “Ele conseguiu construir uma imagem um pouco mais moderada do que a do pai e focou em temas que indicavam mudança. Isso acabou funcionando melhor do que a campanha do Lula”, afirma.
Já o PT, por outro lado, superestimou o peso da rejeição do adversário, observa. “O Flávio era sempre o candidato que o PT queria enfrentar. Existia a percepção de que, no final, o Lula acabaria vencendo porque o Flávio teria muita rejeição. Acho que essa ideia quebrou com o primeiro turno”, diz.
O diretor da Eurasia ressalta que a disputa segue aberta, mas uma virada de Lula exigiria uma mudança mais clara nas pesquisas. Enquanto a vantagem seguir entre dois e quatro pontos percentuais, Cascione considera que Flávio tem mais chance concreta de uma vitória no segundo turno.
Fiscal impulsiona otimismo do mercado
A melhora das perspectivas eleitorais de Flávio Bolsonaro também ajudou a reforçar o entusiasmo do mercado financeiro, que passou a precificar um cenário de maior disciplina fiscal e queda dos juros.
“Entendemos que haverá um ajuste fiscal robusto e que isso abre espaço para uma redução significativa do custo de capital e das taxas de juros. É por isso que a Bolsa brasileira está sendo reprecificada”, afirma Cascione.
Segundo ele, a expectativa não é apenas de um teto de gastos mais rígido, mas de mecanismos automáticos de controle das contas públicas vinculados à trajetória da dívida.
“O que deve vir não é simplesmente a volta de um teto de gastos mais rígido. A ideia é ter instrumentos automáticos de controle fiscal vinculados à trajetória da dívida pública. Isso torna a trajetória dos próximos anos mais crível”, detalha.
Ainda assim, a Eurasia vê com cautela algumas projeções mais otimistas, como a meta de melhorar o resultado fiscal em 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) o que é visto como “ambicioso” por Cascione, uma vez que falta clareza sobre como serão realizados os cortes de gastos.
“Mas o que deve chegar à mesa será, de fato, um cardápio de medidas de contenção de despesas”.